Sismólogos advertem do perigo de novo terremoto no Caribe

Ernie V. G.

EFE |

Seon.

Castries (Santa Lúcia), 26 jan (EFE).- As imagens de corpos destroçados de homens, mulheres e crianças, alguns sob blocos de concreto e estruturas de aço, são uma triste lembrança do terremoto do Haiti, em uma região, o Caribe, que pode sofrer outro poderoso terremoto, alertaram especialistas.

Derek Gay, engenheiro sismólogo da Universidade of the West Indies (UWI), revelou que o Caribe e particularmente Trinidad e Tobago tiveram um número "pequeno, mas regular de terremotos" o que indica que a terra está com fraturas "com uma liberação constante de energia".

Em Trinidad e Tobago, diversos tremores foram registrados quase que diariamente, mas as pessoas nem percebiam, contou Gay à Agência Efe.

"Nesse ponto, sinto-se pouco aliviado porque significa que liberamos bastante energia. Por exemplo, ao observar o Haiti, as antecipações do terremoto foram poucas. Estavam esperando um "Big Bang"", disse o engenheiro.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que castigou o Haiti em 12 de janeiro foi o maior nos últimos 200 anos e calcula-se que possa chegar a 200 mil mortos.

Em 2007, no entanto, um terremoto de 7,4 graus atingiu a ilha da Martinica e só uma pessoa morreu e de ataque cardíaco, apesar do tremor ter sido sentido em ilhas próximas, como Santa Lúcia.

O especialista apontou que a possibilidade de um terremoto "não foi captada" porque "quando algo permanece dormindo durante 200 anos tende a ser esquecido. Acredito que o único consolo que podemos ter é que o próximo será daqui a 200 anos", acrescentou.

Mas esta afirmação é pouco tranqüilizadora para as nações caribenhas, cujos Governos foram advertidos sobre a necessidade de uma preparação adequada para enfrentar terremotos de uma magnitude maior que o do Haiti, porque a região está sobre um ativo sistema de falhas sísmicas.

Terremotos de 7 graus ou mais já foram registrados na região próxima de Porto Rico, nas Ilhas Virgens e na Ilha Hispaniola nos últimos 500 anos e em algumas ocasiões geraram tsunamis.

O último tsunami ocorreu em 1946 a partir de um terremoto de 8,1 graus na República Dominicana, onde morreram mais de 1,6 mil pessoas.

O terremoto do Haiti desperta um debate entre os cientistas da região e do mundo sobre quando será o próximo tremor no Caribe.

"Um dia vai ocorrer de novo. O perigo é real. O terremoto que pode acabar com a região pode ocorrer e um dia ocorrerá", afirmou Joan Latchman, outro sismólogo da UWI, e ressaltou que a região tem inúmeras placas que sobem devido ao terremoto e também forte atividade vulcânica ao longo da costa oeste do Caribe.

"Essa é a razão pela qual acreditamos que o ocorrido no passado aconteça novamente no futuro porque as camadas continuam se movimentando", acrescentou a Efe.

Brady Cox, professor assistente de engenharia civil na Universidade do Arkansas (EUA), acredita que prever um terremoto é difícil: "cada vez que há um grande terremoto ocorre uma liberação da energia em algumas áreas e a aumenta em outras".

Um estudo publicado há seis anos na revista de pesquisa geofísica da União Americana de Geofísicos alertava para um maior risco de terremotos na região da falha setentrional e advertia a atividade geológica submarina em Porto Rico e na Ilha Hispaniola (onde fica o Haiti e a República Dominicana) que poderia produzir terremotos acima de 7,5 graus na escala Richter.

A falha responsável pelo terremoto de 12 de janeiro no Haiti se estende até o leste da Jamaica. Outra corre paralela a esta ao norte, ao longo do sul de Cuba e do norte do Haiti até a República Dominicana.

"São especialmente perigosas quando há grandes centros de população como Porto Príncipe, Kingston e Santiago, na República Dominicana, que estão muito perto delas", assinalou Paul Mann, da Universidade Austin de Texas (EUA).

Na opinião de Tim Dixon, professor de geofísica no centro Rosenstiel de Miami, outro terremoto poderia ocorrer em breve: "os outros segmentos não se romperam. Agora estão carregados com maior tensão por causa deste terremoto. Nos próximos anos, na próxima década talvez, existe a possibilidade que um novo terremoto na região".

O Serviço Geológico dos Estados Unidos alertou na sexta-feira que, durante os próximos 30 dias, há um "alto risco" do registro de novas réplicas de até 5 graus na escala Richter do terremoto que assolou Haiti.

"A sequência de réplicas ao terremoto de 7 graus continuará durante meses, talvez anos, na área atingida", informou o organismo que realizou o estudo.

As conclusões da pesquisa destacam o "drástico aumento da preocupação pelo potencial de futuros terremotos no Haiti e no entorno". EFE es/dm

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