Síria rejeita inspeção nuclear em instalações militares

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - A Síria disse na sexta-feira estar cooperando plenamente com um inquérito sobre suas atividades nucleares, mas que não se dispõe a abrir suas instalações militares, pois isso acarretaria riscos à segurança nacional.

Reuters |

Diplomatas dizem que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) pediu para examinar várias instalações militares sírias, mas as declarações de Damasco claramente rejeitam tal hipótese.

A agência investiga a Síria desde maio, por causa de acusações dos EUA de que o país construíra um reator secreto de produção de plutônio, que teria sido destruído por Israel num bombardeio há um ano.

A Síria, aliada do Irã --alvo de uma investigação bem mais antiga da AIEA, atualmente paralisada--, nega possuir um programa nuclear clandestino.

Na semana passada, a AIEA disse que testes preliminares em amostras retiradas em junho por inspetores autorizados a visitar o local não trazem sinais de atividade atômica. A Síria diz que no local há apenas instalações militares convencionais desativadas.

'Gostaríamos de salientar que o meu governo está cooperando com a agência com total transparência e continuará assim', disse Ibrahim Othman, diretor-geral da Comissão de Energia Atômica da Síria.

'Entretanto, esta cooperação de forma alguma ocorrerá à custa de expor nossas instalações militares ou de causar uma ameaça à nossa segurança nacional', disse ele na Conferência Geral da AIEA, que reúne anualmente os 145 países da organização em Viena.

Diplomatas próximos à AIEA dizem que a Síria tem ignorado solicitações da agência para verificar essas instalações militares que estariam vinculadas ao suposto reator.

Uma investigação da AIEA sobre o Irã esbarrou no mesmo obstáculo --a recusa do país a inspeções em instalações militares, aos quais a agência não deve ter acesso quando não há prova concreta de atividades nucleares.

O Irã diz que as suspeitas levantadas por dez países são infundadas, e insiste que seu programa atômico está voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis. A AIEA diz que as acusações são 'sérias' e que o Irã não fornece provas em contrário.

O diretor da agência, Mohamed El Baradei, reconhece a cooperação síria, mas disse na semana passada que Damasco deveria demonstrar 'máxima transparência' e fornecer todas as informações necessárias.

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