Síria pretende ir a reunião com o Iraque na Turquia

ISTAMBUL (Reuters) - O chanceler sírio, Walid Al Moualem, anunciou a intenção de participar de uma reunião com seu homólogo iraquiano na quinta-feira em Istambul, parte dos esforços da Turquia para arbitrar um atrito diplomático entre Bagdá e Damasco por causa da atividade de militantes. Iraque e Síria retiraram seus respectivos embaixadores no mês passado depois de Bagdá acusar Damasco de dar abrigo a militantes acusados de diversos atentados, inclusive duas violentas explosões de caminhões-bomba em 19 de agosto que mataram 95 pessoas nas proximidades de ministérios iraquianos.

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"A Síria irá comparecer à reunião de amanhã," disse Al Moualem a jornalistas na quarta-feira. "Não temos certeza de que o Iraque irá comparecer. Estamos totalmente comprometidos com a nossa relação de cooperação estratégica com o Iraque."

Em Bagdá, um porta-voz disse que o governo iraquiano ainda hesita em comparecer ao encontro, já que uma reunião anterior de menor escalão não resultou em nenhum avanço.

O porta-voz Ali Al Dabagh disse que o Iraque apoia os esforços turcos de mediação, mas que as autoridades sírias "insistem em negar todas as provas e fatos, e as confissões, que vinculam este grupo na Síria às explosões da 'quarta-feira sangrenta.'"

A reunião deve ser mediada pelo chanceler turco, Ahmet Davutoglu, com a presença de representantes da Liga Árabe.

A Turquia, que nos últimos anos melhorou suas relações com Iraque e Síria, teme que a crise desestabilize a região. Ancara tem especial interesse em buscar uma solução para o conflito separatista na sua região do Curdistão, que faz fronteira com Síria e Iraque.

O presidente sírio, Bashar Al Assad, reuniu-se na quarta-feira em Istambul com o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, e os dois países assinaram um acordo para a melhoria das relações políticas, econômicas e sociais, o que inclui a abolição mútua da exigência de vistos.

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que investigue os atentados de Bagdá. Iraque e Síria só recentemente haviam iniciado uma reaproximação nas suas relações, abaladas desde os primeiros dias do regime do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.

Assad qualifica as acusações iraquianas de "imorais" e exige que Bagdá apresente provas.

(Reportagem de Paul de Bendern e Selcuk Gokoluk)

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