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Síria: Jimmy Carter encontra Assad e Mechaal, o chefe no exílio do Hamas

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, encontrou-se nesta sexta-feira em Damasco com o chefe no exílio do movimento islamita palestino Hamas, Khaled Mechaal - em meio a críticas de Washington e Tel Aviv.

AFP |

O encontro, que aconteceu à tarde no escritório do movimento islamita em Damasco, abordou "o destino do soldado israelense capturado (Gilad Shalit), uma eventual trégua com Israel e o levantamento do bloqueio à Faixa de Gaza", disse Abou Marzouk, membro no exílio do escritório político, presente ao encontro.

Gilad Shalit foi capturado durante um ataque de um comando palestino a um posto militar israelense na fronteira com a Faixa de Gaza, em junho de 2006.

Carter, que efetua uma viagem ao Oriente Médio para apoiar esforços de paz, já se encontrou com o presidente sírio Bachar Al-Assad, com quem conversou sobre as "relações entre a Síria e os Estados Unidos e o processo de paz".

De acordo com a agência oficial Sana, Assad e Carter expressaram apoio "ao diálogo para chegar a soluções políticas", considerando importante "mobilizar esforços para reduzir o sofrimento dos palestinos e encerrar o bloqueio" imposto a Gaza.

Israel e os Estados Unidos, que consideram o Hamas uma organização terrorista, haviam criticado os planos de encontro de Jimmy Carter com o Hamas.

A chefe da diplomacia americana Condoleezza Rice declarou não ver motivo nos encontros, classificando o Hamas de "principal obstáculo à paz", enquanto a Casa Branca assinalou que o ex-presidente, prêmio Nobel da paz em 2002, agia a título pessoal.

Um alto funcionário do ministério israelense da Defesa, Amos Gilad, também criticou o encontro.

O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, após vencer num pleito as forças fiéis ao grupo rival Fatah do presidente palestino Mahmoud Abbas. O Hamas não reconhece a existência de Israel, preconiza a luta armada para libertar os territórios ocupados e é acusado de realizar atentados mortíferos contra o Estado Hebreu.

No início da viagem, domingo, em Israel, Carter, que foi arquiteto do tratado de paz entre Egito e Israel em 1979, afirmou não agir como mediador, estando movido pelo pedido de um diálogo com o Hamas.

"É muito importante que alguém se encontre com os líderes do Hamas para ouvir seus pontos de vista, para julgar se podem demonstrar flexibilidade, para tentar convencê-los a cessar qualquer ataque contra civis inocentes em Israel e a cooperar com o Fatah", disse o ex-presidente.

O encontro com Mechaal "é a ocasião para o Hamas esclarecer as suas posições e irá permitir que quebre com a política de isolamento imposta pelos Estados Unidos, Israel e outros países", afirmou por sua vez um porta-voz do grupo, Sami Abou Zouhri.

O ex-presidente americano preconizou igualmente a abertura de um diálogo com a Síria, julgando difícil concluir uma paz na região sem este país.

"Jimmy Carter é um político experiente e razoável. Ele encontra Damasco a disposição para a paz no Oriente Médio", felicitou o jornal sírio al-Watan, próximo do poder.

Desde 2003, as relações sírio-americanas estão tensas. Os Estados Unidos, que acusam a Síria de querer desestabilizar os seus vizinhos libaneses e iraquianos, impuseram, em 2004, sanções contra Damasco, ampliadas em 2006.

Washington procura isolar a Síria, a que acusa também de bloquear os esforços de paz na região, apoiando os grupos radicais palestinos como o Hamas.

Após a Síria, Carter deve visitar a Jordânia e a Arábia Saudita.

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