Síria impede novo protesto em fronteira com Israel; mortos chegam a 23

Polícia impede que dezenas se aproximem de divisa; Israel afirma que denunciará Damasco perante a ONU por marchas de domingo

iG São Paulo |

A polícia síria impediu dezenas de manifestantes pró-palestinos de se aproximar da fronteira com Israel nesta segunda-feira. O número de manifestantes mortos ao tentar invadir as Colinas do Golan, que são controladas por Israel, subiu para 23.

As mortes aconteceram quando soldados israelenses abriram fogo no domingo contra centenas de manifestantes que correram em direção a uma cerca de proteção da fronteira entre os dois países, no segundo episódio de violência letal na zona fronteiriça de Israel em menos de um mês.

A polícia da Síria estabeleceu postos de controle, incluindo um a um quilômetro da fronteira. Quase 20 manifestantes, alguns com bandeiras sírias, começaram a descer uma colina que levava para a divisa quando dois policiais impediram seu avanço.

Os manifestantes não encontraram nenhum bloqueio sírio ou da ONU no domingo e em uma marcha similar na fronteira há três semanas , e ainda não está claro por que as forças de segurança do país intervieram nesta segunda-feira.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, disse que o país denunciará a Síria na ONU após centenas de sírios e palestinos terem chegado à fronteira no domingo. Segundo Palmor, Damasco deixou que a marcha ocorresse para distrair a atenção internacional em relação aos protestos contra o regime de Bashar al-Assad que acontecem no país há mais de dois meses.

"Apresentar um protesto oficial nas Nações Unidas porque o governo sírio fomentou, planejou e causou incidentes violentos na fronteira de forma deliberada e, além disso, promoveu uma violação da linha de demarcação internacional vigiada pela ONU", disse Palmor.

Segundo o porta-voz, é "óbvio" que o regime de Assad "está tentando criar uma distração para tirar o foco do que está acontecendo em seu país". De acordo com a ONU, a repressão síria contra os protestos pró-democracia deixaram mais de 1 mil mortos .

A avaliação foi compartilhada pelo porta-voz do escritório do primeiro-ministro israelense, Mark Regev, que declarou que "a violência na fronteira está ocorrendo porque o regime sírio a permite". "É de  questionar se estão aumentando deliberadamente a tensão na fronteira para desviar a atenção dos sérios problemas que o regime enfrenta internamente", afirmou.

Soldados israelenses dispararam no domingo contra as centenas de sírios e palestinos que tentaram penetrar no território sob seu controle nas Colinas do Golan (ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias), durante a comemoração da "Naksa", que lembra a derrota dos Exércitos árabes nesse conflito, em 1967. Além dos 23 mortos, mais de 200 manifestantes ficaram feridos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a todas as partes envolvidas no conflito árabe-israelense que exerçam a "máxima contenção" após a violência nas Colinas de Golan e disse estar preocupado com a situação.Para o secretário-geral, a situação coloca em risco o cessar-fogo permanente.

*Com AP, EFE e AFP

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