Síria e Líbano estabelecem relações diplomáticas pela primeira vez em 60 anos

Síria e Líbano estabeleceram relações diplomáticas nesta quarta-feira pela primeira vez desde as proclamaçõs de suas independências há mais de 60 anos, um primeir passo para a normalização de seus contatos marcados por uma longa tutela síria sobre seu pequeno vizinho.

AFP |

O ministro sírio das Relações Exteriores Walid Muallem e seu colega libanês Fawzi Sallukh, em visita a Damasco, "anunciam o início de relações diplomáticas entre a República árabe síria e a República libanesa a partir deste dia 15 de outubro de 2008", indicou um comunicado comum.

O texto "reafirma a determinação das duas partes de reforçar e consolidar suas relações com base no respeito mútuo, na soberania e na independência de cada uma e de preservar as relações fraternais privilegiadas entre os dois países".

A abertura das embaixadas em Damasco e Beirute "ocorrerá antes do final do ano", declarou Muallem durante uma entrevista coletiva à imprensa conjunta.

A Síria retirou suas tropas do Líbano em abril de 2005 após ter exercido neste uma tutela de 30 anos marcada pela ocupação do Líbano por seu Exército, de atentados e de acusações de ingerência política.

Os sírios foram pressionados por manifestações provocadas pelo assassinato em fevereiro do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, pelo qual Damasco foi acusado. O governo de Bachar al-Assad negou qualquer envolvimento.

Considerada pela maioria parlamentar de Beirute como um reconhecimento da soberania do Líbano, a vontade de normalização diplomática havia sido confirmada em meados de agosto em Damasco durante um encontro bilateral, mas sem que uma data tenha sido fixada.

"Esperamos que as relações fraternais e históricas sejam reforçadas", declarou o ministro sírio.

Já Sallukh disse esperar que elas ultrapassem o âmbito estritamente oficial e ressaltou que várias questões precisavam ser resolvidas rapidamente, como o destino dos prisioneiros libaneses na Síria e a delimitação da fronteira comum.

Muallem e Sallukh mencionaram também uma coordenação em matéria de segurança no momento em que a mobilização de tropas sírias na fronteira reavivou os temores de alguns libaneses.

Mouallem procurou esclarecer a situação, declarando que a presença de soldados "visava a impedir o contrabando e a sabotagem".

Os dois países permanecem ligados por um "Tratado de Fraternidade" de 1991, que estabelece uma estreita coordenação política, econômica e em questões de segurança. Membros da maioria parlamentar anti-síria libanesa consideram que ele privilegia os interesses de Damasco.

Em relação às preocupações sobre o papel que a embaixada da Síria poderia ter em termos de informações sensíveis, Muallem considerou que "isso existe apenas na mente de alguns libaneses".

No Líbano, o Daily Star em inglês, considerou que "vários libaneses que nutrem suspeitas em relação às intenções de Assad permanecerão pouco convencidos de que seu goveno e ele aceitaram verdadeiramente a legitimidade da independência e da soberania" do Líbano.

rm/dm

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