Síria e Líbano anunciam que estabelecerão relações diplomáticas

Paris, 12 jul (EFE).- Síria e Líbano anunciaram hoje a disposição em estabelecer relações diplomáticas e abrir embaixadas em suas respectivas capitais, pela primeira vez desde que conseguiram suas respectivas independências há mais de 60 anos.

EFE |

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez o anúncio, que qualificou de "histórico", em coletiva de imprensa em Paris junto aos presidentes da Síria, Bashar al-Assad, do Líbano, Michel Suleiman, e o emir do Catar, xeque Hamad Bin Khalifa al-Thani.

Bashar al-Assad confirmou posteriormente "a troca de embaixadas" entre os dois países e ressaltou o apoio de sua nação à normalização política do Líbano.

Sarkozy disse que ainda existem algumas "questões jurídicas" a serem resolvidas e que o que foi iniciado foi "um processo", embora tenha insistido na importância do compromisso dos presidentes da Síria e do Líbano.

Fontes diplomáticas ressaltaram a vontade dos dois países de trabalhar rapidamente e que os prazos para a abertura das legações diplomáticas poderiam estar finalizados para a visita de Sarkozy à Síria, também anunciada hoje, que acontecerá em meados do próximo mês de setembro.

O presidente sírio ressaltou a importância dos acordos de Doha na normalização política do Líbano e mostrou seu apoio "ao diálogo nacional" nesse país.

"Os libaneses têm todo o direito do mundo de decidir sobre seu futuro e nosso dever é apoiar o Líbano agora e no futuro", disse o presidente sírio.

O encontro entre os presidentes sírio e libanês, sob o auspício de Sarkozy, foi o mais importante já mantido entre as partes até que comece amanhã a Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM).

A Cúpula da UPM reunirá 43 chefes de Estado e de Governo da UE e do sul e do leste do Mediterrâneo.

Suleiman destacou a vontade de seu país de "reforçar os laços com a Síria" e que o Líbano reafirma "sua soberania" e desempenha o papel que lhe corresponde no Oriente Médio.

A nomeação de Suleiman como presidente do Líbano aconteceu após o acordo firmado em Doha (Catar) no final de maio pelas principais forças políticas libanesas, após uma crise política que se arrastava desde 2007.

O emir do Catar reconheceu que "a situação no Líbano é complexa", mas destacou que apesar de tudo é um país onde se vive "a alternância democrática".

As relações sírio-libanesas foram um dos temas abordados hoje na reunião entre Suleiman, Sarkozy, Al-Assad e o emir do Catar.

O presidente sírio falou do processo de paz com Israel - país com o qual se encontra tecnicamente em guerra desde 1948 - e ressaltou que ainda não é momento de iniciar negociações diretas.

"Não faz sentido uma negociação direta agora" com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, comentou Assad.

Síria e Israel mantêm há semanas negociações indiretas com auxílio da Turquia, centradas até o momento, segundo Assad, em questões técnicas relacionadas com a retirada das tropas israelenses das Colinas do Golã, ocupadas pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias, de 1967.

"Há negociações em curso auspiciadas pela Turquia que têm como objetivo recuperar a confiança entre Síria e Israel, estabelecer as bases de um terreno comum para se construir a paz", disse Assad.

Segundo ele, superada essa fase, se passará à "negociação direta".

Assad pediu hoje à França que "apadrinhe" junto aos EUA, as futuras negociações diretas entre Síria e Israel.

Segundo Sarkozy "só de se mencionar uma negociação direta já é uma excelente notícia" e a França "está disposta a ajudar com todos os meios".

O presidente francês pediu à Síria que ajude a resolver a questão nuclear iraniana.

A Síria mantém excelentes relações com Teerã e por isso Sarkozy pediu a Assad que "convença o Irã a apresentar provas de que não tem uma arma nuclear".

"Não podemos julgar o que não vemos", disse Assad, que se comprometeu a falar com as autoridades iranianas, embora tenha ressaltado posteriormente que, de acordo com o que sabe, "não há armas nucleares no Irã".

Assad ressaltou que o problema tem que ter "uma solução política", porque caso contrário "as conseqüências seriam gravíssimas". EFE lab/rr

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