Viena, 1 out (EFE) - A Síria e o Afeganistão se encontram imersos em uma incomum batalha diplomática para ocupar um lugar entre os 35 membros do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Os dois Estados são membros do grupo regional do Oriente Médio e do Sul da Ásia (OMSA) e ambos apresentaram sua candidatura para um assento no órgão Executivo da Agência.

Habitualmente, cada grupo regional pactua seus candidatos e não são necessárias votações, mas a recusa de Damasco e Cabul de abrir mão de suas aspirações pode obrigar a Assembléia Geral, reunida em Viena desde segunda-feira, a ter de decidir, pela primeira vez, entre dois candidatos.

A Síria, o candidato da Liga Árabe, ressaltou que possui a grande maioria de apoio do OMSA, pelo que não vê razões para retirar suas aspirações a estar no órgão executivo da AIEA.

Tudo isso apesar de a Síria estar sendo investigada pela Agência, depois que os serviços de inteligência americanos apresentaram alegações de que buscava construir um reator nuclear secreto, de modelo norte-coreano e alimentado com plutônio.

As instalações foram o alvo de um ataque aéreo israelense há apenas um ano, o que causou uma grande polêmica internacional.

Damasco negou ter ou querer desenvolver um programa nuclear secreto e o organismo nuclear da ONU indicou na semana passada que, por enquanto, não encontrou indícios de materiais nucleares na instalação bombardeada no norte da Síria.

No entanto, muitos países se opõem a que a Síria entre neste órgão e um diplomata ocidental explicou à Agência Efe que "ter a Síria na Junta seria como ter um piromaníaco em um parque de bombeiros".

Já o representante do Afeganistão na Assembléia Geral, Wahid Monawar, declarou à Efe que Cabul tem o legítimo direito de cumprir suas aspirações nacionais e que conta com os apoios para fazer valer sua candidatura.

"O Afeganistão é um país em desenvolvimento, um país progressista, temos a melhor constituição da região e o melhor entendimento dos valores muçulmanos e ocidentais", explicou, para ressaltar que é "a melhor candidatura" para encontrar pontos de convergência entre diferentes pontos de vista.

As estimativas de várias fontes diplomáticas afirmam que, se a votação ocorrer, o Afeganistão conta com mais apoios que a Síria, entre eles os da grande maioria de países europeus.

A confirmação foi feita por fontes diplomáticas européias, que explicaram que membros da União Européia "apoiarão a candidatura do Afeganistão", embora a UE tenha negado o pedido dos Estados Unidos de tornar público esse respaldo antes da votação para aumentar a pressão contra a Síria.

"Não parece prudente que um país sob suspeita esteja na Junta", assinalou um representante do bloco.

Por sua vez, alguns diplomatas árabes vêem na candidatura do Afeganistão pelos EUA, que tentaria bloquear o acesso da Síria à Junta.

O Irã, outra nação com programa atômico sob investigação dos inspetores internacionais, já confirmou a retirada de sua candidatura e seu apoio à solicitação da Síria. EFE ll/db

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