De acordo com relatório de órgão da ONU de direitos humanos, repressão deixou ao menos 1,1 mil mortos e mais de 10 mil presos

As forças de segurança da Síria que tentam reprimir três meses de protestos no país estão cometendo "alegadas infrações aos direitos mais fundamentais", diz um relatório da ONU. De acordo com o documento, o uso de munição real contra civis em sua maioria desarmados deixou cerca de 1,1 mil mortos, enquanto o número de detidos supera 10 mil, incluindo mulheres e crianças.

Refugiados sírios se cumprimentam em acampamento do Crescente Vermelho da Turquia no distrito turco de Yayladagi, na cidade de Hatay
AFP
Refugiados sírios se cumprimentam em acampamento do Crescente Vermelho da Turquia no distrito turco de Yayladagi, na cidade de Hatay
"Recebemos vários relatórios denunciando o excessivo uso da força por parte das forças sírias contra os civis, a maioria deles manifestantes pacíficos", assinala o relatório apresentado nesta quarta-feira perante o Conselho de Direitos Humanos pela Alta Delegacia da ONU para os Direitos Humanos.

O documento afirma que "civis desarmados" foram alvo "de franco-atiradores posicionados nos tetos de edifícios públicos e de tanques destacados em zonas densamente povoadas".

Além disso, foram utilizados helicópteros de combate para atacar a cidade de Jisr al-Shughour , onde se concentraram as ações militares dos últimos dias, que provocaram a fuga de milhares de pessoas e levaram mais de 8 mil a cruzar a fronteira com a Turquia , incluindo 4 mil crianças.

O organismo da ONU, no entanto, assinalou que seus colaboradores não puderam entrar na Síria, o que dificultou a apuração de informações de maneira direta. Por essa razão, para publicar esse relatório preliminar dependeram de organizações e defensores dos direitos humanos, assim como do testemunho das próprias vítimas.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, enviou três cartas ao governo sírio pedindo que se permita a entrada da missão encarregada de investigar os fatos no país, mas não obteve resposta. Navi afirmou também que dispõe de informações - incluindo vídeos e fotos - que comprovam o uso da tortura contra os detidos.

Segundo o relatório, as famílias e os vizinhos de manifestantes e ativistas também foram vítimas de detenções arbitrárias e as forças de segurança irromperam em diversas casas para tentar encontrar pessoas procuradas pelas autoridades.

Várias vítimas da situação foram mantidas incomunicáveis e obrigadas a assinar documentos nos quais se comprometiam a não participar mais de protestos. Uma equipe dirigida pela alta comissária adjunta Kyung wha Kang ficará a postos para viajar à Síria assim que for autorizada, enquanto um segundo grupo de especialistas se encontra atualmente na Turquia, onde milhares de sírios buscaram refúgio.

Em sua conclusão, a instituição da ONU ressalta que as denúncias de violações dos direitos fundamentais requerem que as investigações prossigam e que se garanta a sanção dos responsáveis.

*Com BBC e EFE

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