Síria descarta suspender relações com Irã, segundo a imprensa

A Síria rejeita qualquer condição prévia a suas negociações de paz indiretas com Israel e não assumirá compromissos em relação a seus vínculos com outros países, afirmou neste sábado o jornal oficial Techrine, em uma alusão velada ao Irã, seu aliado regional.

AFP |

"Damasco rejeita qualquer condição prévia a respeito de suas relações com outros países (...). Damasco não se compromete sobre estas relações", escreveu o Techrine em um editorial.

Depois de um intervalo de oito anos, Israel e Síria anunciaram na quarta-feira que voltaram a entabular negociações de paz indiretas, sob os auspícios da Turquia, para abordar uma retirada israelense das colinas de Golan, área conquistada em 1967 e anexada em 1981 pelo Estado judaico, em troca da paz.

Várias atoridades israelenses admitiram que o objetivo principal de um acordo, e mesmo das próprias negociações, é enfraquecer o eixo Damasco-Teerã, através do qual a Síria permanece ligada a um país que pede abertamente a destruição de Israel.

"A Síria anunciará mais tarde se as negociações indiretas fizeram progressos ou se tropeçaram em obstáculos e condições", continua o jornal sírio.

"As condições redibitórias não facilitam as negociações, de modo que aqueles que hoje impõem condições com fins eleitorais e internos colocam entraves e fazem chantagens no processo de paz", afirma o editorial do Techrine.

Na quinta-feira, a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, impôs como condição a qualquer progresso nas negociações com Damasco a ruptura de suas ligações com "o Irã, o Hezbollah, o Hamas e as outras organizações terroristas".

Ainda segundo o jornal, as negociações sirio-israelenses e o acordo libanês assinado na quarta-feira em Doha para resolver a crise institucional no Líbano suscitam um "otimismo prudente".

A publicação também fala de uma conversa telefônica na sexta-feira entre o presidente sírio, Bachar al-Asad, e o rei Juan Carlos I da Espanha, que teria transmitido a Damasco o apoio de seu país às negociações sírio-israelenses e sua "disposição a fornecer ajuda de todo tipo para apoiá-las".

rm/ap

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