Síria descarta paz com Israel durante governo Bush nos EUA

PARIS (Reuters) - O presidente da Síria, Bashar Al Assad, disse a um jornal francês que seu país dificilmente fará a paz com Israel enquanto o presidente dos Estados Unidos for George W. Bush, mas que provavelmente o sucessor do norte-americano se envolverá mais no processo de paz. Em entrevista publicada na segunda-feira no site do jornal Le Figaro, Assad afirmou que a Síria e Israel estão buscando um terreno comum sobre o qual estabelecer a negociações diretas, e que a busca pelo país correto para a mediação é vital.

Reuters |

'O mais importante nas negociações diretas é quem as patrocina', disse ele, admitindo que os EUA teriam um papel essencial a desempenhar. 'Francamente, não achamos que o atual governo norte-americano seja capaz de fazer a paz. Não tem nem vontade nem visão, e só lhe restam alguns meses.'

'Quando tivermos estabelecido uma fundação comum em negociações indiretas com Israel, talvez possamos entregar algumas cartas-trunfo para o novo governo para torná-lo mais envolvido', acrescentou.

Na semana passada, os inimigos Israel e Síria mantiveram uma terceira rodada de negociações indiretas na Turquia, e marcaram a quarta para o final de julho, segundo fontes do governo turco.

Num sinal da melhoria das relações internacionais para a Síria, Assad participa no fim de semana em Paris de uma cúpula euro-mediterrânea, à qual estará presente também o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.

Assad disse que sua visita à França deixa para trás os ressentimentos de Paris quanto à suposta interferência de Damasco sobre o Líbano. 'Para mim é uma visita histórica, uma abertura para a França e para a Europa', disse.

O presidente sírio acrescentou que pretende se reunir em Paris com o recém-empossado colega libanês, Michel Suleiman, eleito em maio após um longo impasse político, graças a um acordo que teve participação síria.

A tensão política no Líbano permanece elevada, mas Assad sinalizou que não pretende convencer seus aliados do grupo xiita Hezbollah a se desarmarem, argumentando que isso seria o resultado de uma paz geral no Oriente Médio.

Ele também manifestou apoio ao Irã em sua disputa nuclear com o Ocidente, e disse não acreditar que Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares. 'Estamos convencidos de que o Irã não tem um projeto nuclear. Somos contra a aquisição de armas nucleares, seja pelo Irã ou por qualquer outro país da região, especialmente Israel,' afirmou.

'É inaceitável que Israel tenha 200 ogivas nucleares', disse o presidente sírio. Israel nunca confirmou ter armas nucleares, mas é opinião corrente que as possui.

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