Miami, 19 set (EFE).- A (SIP) repudiou hoje a decisão do Governo da Venezuela de expulsar os diretores da ONG pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) José Miguel Vivanco e Daniel Wilkinson, depois de os dois apresentarem um relatório crítico sobre os direitos humanos no país.

"Este é mais um atentado à liberdade de expressão", disse o presidente da SIP, Earl Maucker, em comunicado.

Maucker considerou que a expulsão de Vivanco e Wilkinson "representa uma confissão de que o Governo vem atropelando direitos e garantias que fazem parte dos tratados internacionais e direitos constitucionais".

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela emitiu na quinta-feira um comunicado justificando a expulsão, ao considerar que a HRW "agrediu as instituições da democracia venezuelana".

Acrescentou que "é política do Estado venezuelano fazer respeitar a soberania nacional e garantir às instituições e ao povo sua defesa frente a ataques internacionais que respondam a interesses vinculados e financiados pelo Governo dos Estados Unidos".

Maucker, editor e vice-presidente do diário Sun-Sentinel, do Sul da Flórida, lembrou que a Assembléia Nacional da Venezuela (Parlamento) declarou "non grata" a presença da SIP em Caracas em março último.

Explicou que a decisão foi tomada sob a suspeita de que os filiados ao órgão "atuam como fatores políticos para desacreditar a revolução bolivariana, ofender o povo venezuelano e atentar contra o prestígio e a credibilidade do Presidente da República".

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Gonzalo Marroquín, expressou, por sua vez, solidariedade com Vivanco, Wilkinson e a HRW.

O dirigente destacou que os relatórios da HRW "sempre serviram para denunciar atropelos, guiando os Governos a adotar medidas corretivas para garantir os direitos de todo cidadão".

Marroquín, diretor do diário guatemalteco "Prensa Libre", acrescentou que "essa medida do Governo venezuelano demonstra que quando se vulnera a liberdade de expressão e de imprensa podem ser pisoteados de forma impune outros direitos humanos, como o acesso à Justiça, à vida, à liberdade de associação e à liberdade de movimento".

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP disse ainda que a Venezuela atuou como as "ditaduras de direita que assolaram a América Latina no passado e cuja política era a de negar violações dos direitos humanos e de expulsar aqueles chamavam a atenção para esses casos". EFE sob/fr

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