SIP debate liberdade de expressão na Venezuela

Oranjestad, 21 mar (EFE).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), reunida em Oranjestad (Aruba), analisou hoje em um acalorado debate a situação da liberdade de expressão na Venezuela com a participação de representantes de imprensa que apoiaram a política governamental do presidente Hugo Chávez.

EFE |

O relatório sobre a situação da liberdade de imprensa e de expressão foi lido por David Natera, diretor do jornal venezuelano "Correo del Caroní", e foi seguido com comentários pela rede social online Twitter, além de ser transmitido ao vivo pela emissora venezuelana "Globovisión".

O documento evidenciou que a liberdade de expressão e de imprensa na Venezuela continua em franca deterioração, tal como avaliou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), ao denunciar as "sérias restrições ao pleno exercício dos direitos humanos na Venezuela".

O relatório da SIP ressaltou que "procedimentos ilegais, normas técnicas manipuláveis e imposições complicadoras negaram qualquer possibilidade de que a 'Radio Caracas Televisión' ('RCTV') pudesse fazer transmissões".

O relatório acrescentou que "o Governo de Chávez faz desaparecer os anunciantes privados mediante expropriações ilegais e estatização de grandes empresas e impõe a censura propagandista".

Além disso, segundo o documento, o Governo venezuelano "desvaloriza o chamado bolívar forte e utiliza o controle oficial do câmbio monetário para limitar a quantia de dólares necessários para o papel e outros insumos para jornais, que não são produzidos na Venezuela e cujo preço agora é o dobro por causa da desvalorização".

"O Governo aloca verbas milionárias para promover e sustentar inúmeras publicações, emissoras e comentaristas políticos", indicou o documento.

O relatório concluiu que "a imprensa independente da Venezuela enfrenta um iminente perigo de colapsar e desaparecer perante a sabotagem econômica do Governo de Chávez", enquanto os periódicos independentes registram inúmeras perdas em suas operações.

Após a leitura do relatório, Robert Rivard, diretor do jornal texano "San Antonio Express-News" e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa, abriu um debate no qual participaram vários representantes da ONG Jornalistas pela verdade e das emissoras venezuelanas "Venezolana de Televisión" e "Ávila TV".

Esses participantes denunciaram as críticas da SIP à liberdade de expressão na Venezuela e defenderam "a revolução do povo venezuelano".

Oswaldo Rivero, representante da "Ávila TV", indicou que existem hoje na Venezuela 326 meios de comunicação alternativos e que o fechamento da "RCTV" ocorreu porque expirou sua concessão e que seu diretor-geral, Marcel Granier, se negou a acatar as novas leis do Governo de Chávez.

No entanto, Gonzalo Marroquín, diretor do diário "Prensa Libre" da Guatemala, respondeu que esses 326 meios alternativos divulgam apenas uma mensagem e uma mesma opinião, sem que haja pluralidade.

Enrique Santos, do periódico "El Tiempo" de Bogotá, criticou "o cinismo dos porta-vozes de Chávez, que se escondeu quando a SIP viajou para Caracas" para debater a situação da liberdade de expressão na Venezuela.

Como conclusão do debate, o presidente da SIP, Alejandro Aguirre, destacou o importante exercício da liberdade de expressão da organização ao ter permitido o discurso de pessoas que não são membros desse grupo e que também não estavam registrados para assistir à sessão.

"Essa é a liberdade de expressão. Essa é a SIP", concluiu Aguirre.

A apresentação do relatório estava previsto para ontem, mas a sessão foi adiada pelo ambiente de certo nervosismo apresentado entre os representantes da SIP, que foram duramente questionados por jornalistas simpatizantes ao Governo Chávez. EFE esc/sa

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