SIP condena ataques à imprensa em países latino-americanos

Assunção, 16 mar (EFE).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou hoje os ataques contra a imprensa por parte de alguns Governos latino-americanos, o uso da publicidade oficial como forma de pressão e os assassinatos ocorridos no último semestre no México, na Venezuela e no Paraguai.

EFE |

A reunião de meio ano da SIP, que terminou hoje no Paraguai, também exigiu a libertação dos jornalistas cubanos presos e, em contrapartida, destacou avanços na resolução de vários casos de homicídio, assim como na legislação para garantir o livre exercício da profissão.

Em suas conclusões, o órgão, que reúne cerca de 1.300 veículos de comunicação do continente, afirmou que a situação se agravou porque "os violentos inimigos da liberdade de expressão fizeram novas vítimas", e explicou que, desde a reunião realizada em outubro do ano passado em Madri, seis repórteres foram mortos.

Quatro deles foram assassinados no México, um no Paraguai e outro na Venezuela, segundo o documento, que advertiu de que o primeiro país "continua sendo um dos lugares mais perigosos" para o exercício do jornalismo.

A SIP pediu que os Governos dessas nações "adotem medidas para garantir a segurança dos jornalistas, a independência e liberdade da atividade, o direito dos cidadãos à informação e o embates da autocensura".

A lista de assassinados inclui Luis Méndez, Armando Rodríguez, Miguel Ángel Villa Gómez e David García no México, Martín Ocampos, no Paraguai, e David Zambrano, na Venezuela, disse o vice-presidente da Comissão de Impunidade, o mexicano Roberto Rock.

Ele explicou que foi entregue à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o caso do desaparecimento do mexicano Alfredo Jiménez Mota, do jornal " El Imparcial" de Sonora, em 2005.

Rock anunciou que o presidente da SIP, o colombiano Enrique Santos, escolheu uma missão que viajará em breve ao México para insistir perante as autoridades desse país e participar de um seminário sobre jornalismo e crime organizado.

Em relação a Cuba, o organismo decidiu "exigir a libertação incondicional dos jornalistas presos e o reconhecimento governamental ao exercício independente da profissão".

Além disso, reivindicou o fim "das ações repressivas contra os jornalistas independentes e seus parentes", e exigiu que o Governo cubano permita "a saída imediata" dos repórteres que receberam vistos para emigrar do país.

Sobre a Venezuela, a SIP condenou "os crimes, perseguição e violência contra jornalistas, veículos de comunicação e seus diretores", e confirmou a resolução emitida na assembleia de Madri, na qual "se denunciou o caráter totalitário e ditatorial do Governo" de Hugo Chávez.

A SIP denunciou ainda "a contínua prática da utilização das pautas propagandistas do Estado (venezuelano) como elemento de pressão contra a imprensa independente".

"Chávez seguiu com sua incansável tarefa de humilhar a imprensa", afirmou a SIP.

Segundo o órgão, "esta retórica inflamada" foi adotada por outros governantes, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos líderes de Bolívia, Evo Morales; Equador, Rafael Correa; Nicarágua, Daniel Ortega; Honduras, Manuel Zelaya; Colômbia, Álvaro Uribe; Costa Rica, Óscar Arias, e Guatemala, Álvaro Colom.

"Preocupam-nos as agressões à liberdade de expressão como ocorre em Cuba, onde não há um mínimo de indício de que se possa falar livremente", afirmou à Agência Efe Aldo Zuccolillo, do jornal "Abc Color", de Assunção.

"A Venezuela vai pelo mesmo caminho, Correa no Equador começa a ameaçar, Evo Morales está começando também com suas agressões aos veículos que lhe são críticos", acrescentou.

O especialista destacou que, no passado, as ditaduras militares eram as que perseguiam a imprensa e que, agora, "são os democratas, que obtém o poder político, organizam a estrutura do Estado à sua medida como uma roupa e dominam as Câmaras (do Congresso) e a Justiça".

Pelo lado positivo, a SIP ressaltou a decisão de um grupo de promotores colombianos para impulsionar os casos de sete jornalistas assassinados, assim como as penas emitidas contra os autores materiais de dois homicídios.

A SIP anunciou ainda que realizará em Aruba a próxima reunião de meio ano, em março de 2010, que será precedida pela assembleia geral, prevista para ocorrer em Buenos Aires em outubro. EFE lb/db

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