SIP alerta para crise na imprensa dos EUA

Assunção, 15 mar (EFE).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) fez hoje um apelo par que se combata a crise que abate os meios de comunicação nos Estados Unidos, durante o penúltimo dia de sua reunião em Assunção, na qual o presidente paraguaio, Fernando Lugo, se comprometeu a respeitar a liberdade de imprensa.

EFE |

"Nosso Governo, reiterando o que já dissemos em 15 de agosto (do ano passado, quando assumiu ao poder), não tem em sua agenda projeto algum de legislação que regule o exercício da imprensa no Paraguai", disse Lugo no plenário da SIP.

Questionado sobre se está de acordo com o fechamento de meios de comunicação e ataques à imprensa pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de quem é aliado político, Lugo não respondeu diretamente, dizendo que "posso garantir que esses fatos, durante meu Governo, aqui no Paraguai, não acontecerão".

"É melhor uma imprensa opositora que nos ajuda, com seu questionamento, a produzir autocrítica necessária para corrigir nossos erros do que uma imprensa amiga que oculte os sintomas de erros de gestão", afirmou.

Por sua vez, o colombiano Enrique Santos Calderón, presidente da SIP, ressaltou que "as tendências dos problemas que afetam a imprensa não mudaram" e que "continua o aumento da violência física contra jornalistas e atentados contra os veículos".

"Vemos em muitos países uma deterioração das relações entre os Governos e a imprensa; persiste em outros o uso inadequado de fundos públicos por parte de Governos para pressionar e discriminar através da publicidade oficial e a aprovação de leis de acesso à informação", afirmou Santos.

Ele destacou ainda que outro "ponto negro" são os crimes contra os jornalistas e citou 13 repórteres que foram assassinados em 2008, acrescentando que neste ano "já contamos quatro crimes (de homicídio), dois no México, um na Venezuela e um no Paraguai".

Liza Gross, colunista de jornais de Miami, afirmou que "a situação vive nos Estados Unidos deve ser observada para se estudar cuidadosamente como conservar o jornalismo de credibilidade".

Gross referiu-se à crise que atravessa a imprensa americana pela "incapacidade para conduzir com sucesso a transição rumo à nova realidade dos novos suportes noticiários existentes", segundo coincidiram os participantes do evento.

Ela considerou ainda que a América Latina ainda tem tempo de "reinventar" suas estratégias de comunicação, já que o uso da internet na região continua sendo relativamente baixo e que tem "um modelo econômico bastante diferente do americano".

Já Mark Fitzgerald, colunista do "Editor & Publisher", de Nova York, recomendou aos proprietários de meios de comunicação que tenham "cautela com as dívidas, o que foi o começo do fim" das empresas nos Estados Unidos.

Edward Seaton, do jornal "Manhattan Mercury", mencionou que a maioria dos veículos americanos incluíram suas notícias na internet "achando que isso permitiria vender maior publicidade, coisa que não ocorreu devido à imensas opções com as quais as empresas na rede contam para se promover".

"Se não encontrarmos uma solução ao problema atual em EUA, em questão de cinco anos o jornalismo de circulação em massa vai estar em sérias dificuldades", acrescentou Seaton.

A SIP finalizará sua reunião semestral com uma conclusão da situação que enfrenta a imprensa na região e o anúncio do envio de uma missão de sua Comissão de Impunidade ao México -e, provavelmente, de outra à Nicarágua.

O vice-presidente dessa comissão, o mexicano Roberto Rock, adiantou à Agência Efe que a missão promoverá um seminário, incluindo o presidente do México, Felipe Calderón, em abril, "para discutir o que se pode fazer para impedir que continuem matando jornalistas" nesse país. EFE lb/jp

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