Sindicatos suspendem protestos por dois dias na Nigéria

Uniões sindicais da indústria do petróleo tentam continuar negociações e dar tempo para que manifestantes estoquem mantimentos

iG São Paulo |

Os dois principais sindicatos que lideram uma greve geral na Nigéria anunciaram nesta sexta-feira a suspensão dos protestos durante os próximos dois dias. O objetivo é permitir a continuidade das negociações com o governo e dar tempo aos manifestantes para estocarem água e comida.

Negociações entre os dois lados estão acontecendo e, segundo os líderes sindicais, o governo ofereceu a retomada de uma pequena parte dos subsídios, o que foi considerado insuficiente.

O anúncio não altera a ameaça feita pelos sindicatos da indústria de petróleo de paralisar a produção a partir de domingo se o governo não voltar atrás da decisão de retirar os subsídios que mantêm o preço do combustível mais barato.

AP
Homem protesta com cartaz no qual lê-se: "Vá embora (presidente Goodluck) Jonathan, ou morra como (Muamar) Kadafi", em referência ao ex-líder da Libia, em Lagos, Nigéria

Na quinta-feira, Babatunde Ogun, presidente da Pengassan um dos sindicatos do setor petroleiro do principal produtor de da África, afirmou que os trabalhadores já pararam de enviar relatórios sobre a produção para o governo.

Ele acrescentou que se os campos forem desativados, levará cerca de "seis meses a um ano" para reativá-los. Alguns analistas sugeriram que os sindicatos não seriam capazes de parar a produção, mas as autoridades expressaram preocupação quanto à perspectiva.

"Se eles forem em frente com a ameaça, a ação irá piorar nosso problema econômico que o governo está tentando resolver. Por isso que o governo está chamando os trabalhadores e a sociedade civil para um diálogo", disse o ministro da Informação Labaran Maku á Reuters.

O país, cuja maioria dos 160 milhões de habitantes vive com menos de US$ 2 por dia, passa por um momento de crise devido à retirada dos subsídios dos combustíveis que mantinham o preço da gasolina baixo. Com cinco dias seguidos de greve e manifestações reprimidas com violência nas ruas, a greve provocou um aumento no preço do petróleo, que representa 80% da receita da Nigéria, e deixou ao menos 12 mortos.

Com o fim do subsídio, o preço do combustível subiu mais que o dobro, passando de US$ 1,70 o galão(US$ 0,45 por litro) para US$ 3,50 o galão (US$ 0,94 por litro). Os custos da alimentação e transporte também dobraram.

A Nigéria é um dos principais fornecedores de petróleo cru para os Estados Unidos e para a União Europeia, com uma produção de cerca de 2,4 bilhões de barris por dia.

Na quarta-feira, as autoridades impuseram um toque de recolher de 24 horas no Estado de Niger depois que os protestos escalonaram para a violência.

Durante a manifestação, na capital do Estado, Minna, centenas de manifestantes atiraram contra prédios do governo e de partidos políticos e também atingiram as casas de políticos locais. Toques de recolher parciais também entraram em vigor nos Estados de Kano, Zamfara, Borno e Oyo.

Além das manifestações e da greve, o presidente da Nigéria enfrenta uma nova onda de violência do grupo islâmico Boko Haram.

Com AP, Reuters, EFE e AFP

    Leia tudo sobre: nigériapetróleogreveprotestos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG