Sindicatos petroleiros ameaçam paralisar produção na Nigéria

União sindical diz que domingo vai parar de produzir petróleo se o governo não reverter decisão de retirar subsídios da gasolina

iG São Paulo |

Uma união sindical da indústria do petróleo e gás natural da Nigéria disse que vai paralisar sua produção a partir de domingo, 15 de janeiro, se o governo não voltar atrás da decisão de retirar os subsídios que mantêm o preço do combustível mais barato.

- Nigerianos protestam contra preço de combustível pelo segundo dia
- Policiais e manifestantes entram em choque durante greve na Nigéria

AP
Homem protesta com cartaz no qual lê-se: "Vá embora (presidente Goodluck) Jonathan, ou morra como (Muamar) Kadafi", em referência ao ex-líder da Libia, em Lagos, Nigéria

"A partir de domingo deixaremos de produzir", declarou Babatunde Ogun, presidente da Pengassan um dos sindicatos do setor petroleiro do principal produtor de da África. Segundo Ogun, os trabalhadores já pararam de enviar relatórios sobre a produção para o governo.

Ele acrescentou que se os campos forem desativados, levará cerca de "seis meses a um ano" para reativá-los. Alguns analistas sugeriram que os sindicatos não seriam capazes de parar a produção, mas as autoridades expressaram preocupação quanto à perspectiva.

"Se eles forem em frente com a ameaça, a ação irá piorar nosso problema econômico que o governo está tentando resolver. Por isso que o governo está chamando os trabalhadores e a sociedade civil para um diálogo", disse o ministro da Informação Labaran Maku á Reuters.

Líderes sindicais devem se encontrar com o presidente nigeriano pela primeira vez desde que a greve começou. A greve nacional, até o momento, não tinha afetado a indústria petrolífera, pois muitas de suas operações são automatizadas.

Não ficou claro se as autoridades estão dispostas a fazer concessões sobre a questão do subsídio, embora a ministra do Petróleo Diezani Alison-Madueke ter dito que sempre "pediu para que a porta do diálogo permanecesse aberta".

"Nenhum governo poderia levantar-se e colocar-se através de ataques aos quais temos sido submetidos se não acreditasse que o que está por vir é muito melhor para o país do que aqui que já passamos", disse, segundo a AFP.

O país, cuja maioria dos 160 milhões de habitantes vive com menos de US$ 2 por dia, passa por um momento de crise devido à retirada dos subsídios dos combustíveis que mantinham o preço da gasolina baixo. Com quatro dias seguidos de greve e manifestações reprimidas com violência nas ruas, a greve provocou um aumento no preço do petróleo, que representa 80% da receita da Nigéria, e deixou ao menos 12 mortos.

Com o fim do subsídio, o preço do combustível subiu mais que o dobro, passando de US$ 1,70 o galão (US$ 0,45 por litro) para US$ 3,50 o galão (US$ 0,94 por litro). Os custos da alimentação e transporte também dobraram.

A Nigéria é um dos principais fornecedores de petróleo cru para os Estados Unidos e para a União Europeia, com uma produção de cerca de 2,4 bilhões de barris por dia.

A crise na Nigéria - e a ameaça do embargo às exportações iranianas - têm causado um aumento no preço do petróleo.

As manifestações contra a medida aprovada pelo presidente Goodluck Jonathan agitam o país desde 1º de janeiro, quando os novos preços entraram em vigor. Lgos, a maior cidade do país, e Kano, principal localidade do norte, tiveram os protestos mais numerosos.

Na quarta-feira, as autoridades impuseram um toque de recolher de 24 horas no Estado de Niger depois que os protestos escalonaram para a violência.

Durante a manifestação, na capital do Estado, Minna, centenas de manifestantes atiraram contra prédios do governo e de partidos políticos e também atingiram as casas de políticos locais. Toques de recolher parciais também entraram em vigor nos Estados de Kano, Zamfara, Borno e Oyo.

Além das manifestações e da greve, o presidente da Nigéria enfrenta uma nova onda de violência do grupo islâmico Boko Haram .

Com AP, BBC e AFP

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