Sindicatos da Nigéria suspendem greve

Decisão foi tomada depois que presidente restaurou parcialmente os subsídios que mantinham o preço da gasolina baixo

iG São Paulo |

Sindicatos trabalhistas da Nigéria suspenderam nesta segunda-feira a greve nacional estabelecida na semana pasada depois que o presidente do país restaurou parcialmente os subsídios que mantinham o preço da gasolina baixo.

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AP
Jovens protestam em Lagos, na Nigéria

Líderes do sindicato afirmaram que a decisão do governo representa uma vitória para eles, dizendo que a pressão exercida pelos trabalhadores serviria como guia para o governo pensar duas vezes antes de mexer com os subsídios. Mas o novo preço acordado, cerca de US$ 2,27 o galão (US$ 0,60 o litro) continua sendo mais caro que o preço anterior, de uS$ 1,70 o galão (0,45 o litro).

Para forçar o compromisso e impedir protestos populares, o presidente Goodluck Jonathan ordenou que os soldados fizessem a segurança das maiores cidades do país, cuja maioria da população vive com menos de US$ 2 por dia. Essa atitude de Goodluck, que não era vista desde que o Exército abandonou o poder em 1999, levanta questões sobre a liberade de expressão.

"Isso é um caso claro de intolerância e fechamento do espaço democrático contra o povo da Nigéria que deve ser condenado por todos os amantes da democracia ao redor do mundo", disse um comunicado do Grupo Salve a Nigéria, que organizou massivos protestos em Lagos.

A greve de seis dias começou depois que os preços do combustível mais que dobraram para ao menos US$ 3,50 o galão (US$ 0,94 o litro) seguindo uma medida aprovada pelo gabinete de Jonathan e implementada no dia 1º de janeiro para tentar colocar um fim a subsídios do governo. Os preços baixos da gasolina, algo com o qual a Nigéria estava acostumada desde 1973, é o único benefício que a população do país obtém da produção de 2,4 bilhões de barris de petróleo cru por dia.

Muitos manifestantes também se uniram às manifestações para protestar contra a corrupção do governo em um país. Sob o lema "Ocupe Nigéria", muitos usaram as redes sociais para criticar os índices de pobreza e os hospitais mal conservadas em meio aos excessos da elite do país.

O governo tentou trazer a nação para seu lado, prometendo que a estimada economia de US$ 8 bilhões no ano com o fim dos subsídios seriam revertidos para projetos públicos. Mas isso não foi suficiente para ganhar apoio popular dos milhares que foram às ruas em todo o país.

Nos últimos dois dias, autoridades alertaram que provocadores queriam explorar as manifestações somente para provocar revolta na nação com um longo histórico de golpes.

"Ficou claro para o governo e para os nigerianos bem entendidos que outros interesses estão além da implementação da política desregulatória se aproveitam do protesto...Os mesmos interesses querem promover a discórdia, a anarquia e a insegurança em detrimento da paz pública", disse o presidente Jonathan em um discurso transmitido nesta segunda-feira pela manhã.

Os sindicatos informaram que escolheram abandonar a greve "para salvar vidas e pelo interesse da sobrevivência nacional". Eles se encontraram com o presidente Jonathan na noite de domingo. Os protestos deixaram ao menos dez mortos em confrontos com a polícia.

Com AP

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