BOGOTÁ (Reuters) - Um dirigente sindical colombiano, capturado pelo Exército em um acampamento da guerrilha em uma operação na qual 11 rebeldes foram mortos e outros dez capturados, disse nesta terça-feira que estava no local porque havia sido capturado. A captura de Juan Efraín Mendoza, dirigente da Federação Nacional Sindical Única Agrícola, põe em risco o movimento sindical da Colômbia, vítima de ataques e acusações por parte de grupos armados ilegais, disseram analistas.

O sindicalista afirmou que saiu de sua casa na quarta-feira da semana passada ao realizar um trabalho fora de Bogotá e que na região sul da cidade foi interceptado por homens que o levaram, à força, a um local desconhecido.

"Lá irão dizer para que o querem", afirmou Mendoza à rádio local.

"Se não aparecesse o Exército não sei o que teria acontecido comigo", disse o sindicalista, que destacou o bom tratamento recebido pelo Exército.

O líder se encontrava em um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em Páramo de Sumapaz, na região de Bogotá.

Mas as autoridades militares e policiais asseguraram que nem os familiares nem os seguranças do sindicalista denunciaram seu desaparecimento ou sequestro. Mendoza está detido em uma cadeia de Bogotá e enfrenta acusações de rebelião e homicídio.

O líder sindical, que no passado se queixou de ameaças de mortes, tinha escolta de três seguranças e um veículo como parte de um programa de proteção do governo.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Tarsicio Mora, disse que o sindicalista capturado deverá explicar às autoridades o ocorrido e negou que os sindicatos estejam envolvidos em um conflito interno a favor de um ou outro grupo violento.

No passado, esquadrões de direita sequestraram e assassinaram dezenas de líderes operários, acusando-os de ligações com guerrilhas de esquerda.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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