Sinal na entrada de Auschwitz é roubado

A famosa sinalização em ferro fundido na entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, e que afirma Arbeit Macht Frei (O Trabalho Liberta, em tradução livre), foi roubada. O sinal foi desparafusado e retirado do alto do portão de entrada do campo durante a noite.

BBC Brasil |

A polícia polonesa já iniciou a busca pelos responsáveis pelo roubo.

Jarek Mensfelt, do Museu Auschwitz-Birkenau, afirmou que os funcionários estão chocados com o roubo.

"É mais do que apenas roubar um objeto. É uma profanação", afirmou Mensfelt à BBC. "Quem fez isto deve ser alguém que conhece nosso sistema de segurança, pois toda a área é fechada durante a noite, vigiada e há também um sistema de câmeras".

"Não foi apenas um incidente - foi uma ação organizada e premeditada", disse.

Mensfelt acrescentou que os visitantes vão a Auschwitz para "orar, visitar e lembrar" e não há registros de ameaças contra o local.

Ainda não se sabe a razão do roubo da placa, mas funcionários do museu afirmam que será difícil vender um objeto que pode ser reconhecido tão facilmente.

'Ato de guerra'
De acordo com a agência de notícias Associated Press, foi oferecida uma recompensa de 5 mil zloty poloneses (pouco mais de R$ 3 mil) por informações que levem à captura dos ladrões.

O roubo em Auschwitz já causou reações em Israel. Avner Shalev, diretor do Memorial do Holocausto Yad Vashem, afirmou que o crime "constitui uma verdadeira declaração de guerra".

"Não sabemos a identidade dos responsáveis, mas suponho que sejam neonazistas", afirmou.

O vice-primeiro-ministro de Israel, Silvan Shalom, afirmou que o roubo é um ato "abominável" e teria dito que o ato "demonstra mais uma vez o ódio e violência contra os judeus".

O ex-presidente polonês Lech Walesa descreveu o crime como "inconcebível".

De acordo com o correspondente da BBC em Varsóvia, Adam Easton, a polícia polonesa está interrogando os seguranças do campo e assistindo às gravações das câmeras de circuito interno de TV.

O roubo ocorre dias depois de o governo da Alemanha ter prometido uma ajuda de 60 milhões de euros (mais de R$ 153 milhões) para ajudar na preservação do antigo campo de concentração.

Auschwitz, que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano, é administrado como um museu estatal desde 1947.

Esta é a primeira vez que a placa, feita por prisioneiros poloneses, é roubada desde que foi colocada na entrada do campo de concentração na década de 40.

A frase da obra em ferro fundido de Auschwitz foi colocada em outros campos de concentração, como Dachau, mas a de Auschwitz é a mais conhecida.

A placa, que é retirada periodicamente pelos funcionários do museu para limpeza, foi substituída por uma cópia.

Durante o Holocausto, centenas de milhares de prisioneiros passaram embaixo do sinal e a maioria foi morta em Auschwitz.

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