César Muñoz Acebes Washington, 17 mai (EFE).- Os senadores Barack Obama e Hillary Clinton dão continuidade hoje à sua luta para ver quem será nomeado oficialmente o candidato democrata à Casa Branca, enquanto os republicanos estão preocupados com os maus resultados obtidos nas últimas eleições realizadas para preencher vagas na Câmara Baixa.

Os líderes do Partido Democrata estão preocupados com que os ataques de Hillary a Obama facilitem o trabalho dos republicanos e que o forte apoio que o senador por Illinois tem entre os negros e que a ex-primeira-dama possui na classe trabalhadora branca possam dividir sua base eleitoral.

Apesar disso, os republicanos não têm muito a comemorar. Segundo analistas de esquerda e de direita, os democratas têm grandes chances de vencer nas eleições legislativas e presidenciais de novembro.

Um sinal disso foram os resultados das eleições especiais realizadas nos últimos meses para preencher vagas em aberto na Câmara Baixa, quando os democratas ganharam três cadeiras muito importantes.

"Essas cadeiras estavam claramente no lado republicano", disse John Fortier, um analista político do American Enterprise Institute, um centro de estudos conservador.

Para Fortier, as derrotas "são um sinal de problemas" para o partido.

Já Gary Jacobson, professor de ciências políticas da Universidade da Califórnia, foi mais enfático: "Os republicanos estão a ponto de entrar em pânico".

Esse medo pode ser percebido no congressista Tom Davis, ex-coordenador do comitê eleitoral dos republicanos da Câmara Baixa.

Em um memorando enviado para seus colegas e divulgado pela imprensa, Davis definiu os três candidatos vencedores como "canários na mina", que, quando morrem, alertam para o perigo de permanecer no ambiente.

Após mais de sete anos de controle republicano da Casa Branca, pesquisas indicam que cerca de 80% dos americanos acreditam que o país está no caminho errado.

A economia, um dos determinantes históricos do resultado das eleições americanas, vai mal, e a confiança dos consumidores está no nível mais baixo desde 1980.

Além disso, segundo analistas políticos, o índice de aprovação do presidente em fim de mandato está em cerca de 30%, um número que não era registrado desde os anos 30.

Outro fator que prejudica ainda mais a popularidade republicana é a Guerra do Iraque, que foi arquitetada pelo partido e é rejeitada por grande parte dos americanos, que quer trazer seus soldados de volta.

Segundo pesquisa da rádio nacional pública dos Estados Unidos, após anos de equilíbrio entre os dois partidos, os americanos que se definem como democratas superam em 10 pontos percentuais os que se dizem republicanos.

Em seu memorando, Davis afirma que a atmosfera política é a pior desde o escândalo de Watergate, que culminou com a renúncia do republicano Richard Nixon nos anos 70.

No texto, Davis ainda alerta para que seu partido pode perder 20 cadeiras na Câmara Baixa e seis no Senado em novembro.

Outros analistas fazem previsões menos pessimistas para os republicanos, mas confirmam que os democratas devem reforçar seu domínio em ambas as Câmaras.

Nas eleições presidenciais, os sinais da superioridade democrata não são tão claros. Pesquisas apontam para uma vitória tanto de Obama quanto de Hillary sobre o candidato republicano, John McCain, mas por uma pequena margem.

Segundo Fortier, isso se deve à reputação de McCain como político independente, que chegou inclusive a ganhar a antipatia de alguns senadores de seu partido por ter colaborado com congressistas democratas na reforma do sistema de financiamento eleitoral e no combate à mudança climática.

Para Obama, um eventual Governo de McCain seria como "um terceiro mandato de Bush".

Analistas apontam que o candidato republicano tem possibilidades reais de vencer as eleições, mas larga com certa desvantagem por ter menos recursos arrecadados em comparação com os democratas.

"O dinheiro flui para quem se acredita que será o vencedor", disse Jacobson. EFE cma/rr/db

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