Simpatia de Obama é recebida com sorrisos em cúpula das Américas

Por Patrick Markey PORT OF SPAIN (Reuters) - Se o presidente dos Estados Unidos Barack Obama precisasse de um lembrete de que os tempos mudaram na América, seus colegas presidentes proporcionaram um a ele quando o Air Force One pousou em Trinidad e Tobago para a cúpula regional.

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Quatro anos atrás, quando seu antecessor George W. Bush foi para a Argentina para a última cúpula das Américas, ele foi recebido por manifestantes com pedras e por uma cúpula alternativa liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que bradava contra o "império do mal."

Dessa vez, o presidente dos Estados Unidos encontrou sorrisos, batuques calorosos e chefes de governo em busca de seu autógrafo. Até Chávez disse a ele, duas vezes, que quer "ser seu amigo."

"Essa é a cúpula do Obama", disse um diplomata brasileiro.

Um balão de observação sobrevoava o centro de conferências em Port of Spain, onde um navio de cruzeiro abrigava jornalistas e policiais vestidos de branco que patrulhavam o lugar onde Obama e outros líderes discutiram temas sobre economia, energia e segurança.

Obama teve que ouvir pedidos para levantar o embargo dos Estados Unidos contra Cuba, e teve uma aula de história sobre o imperialismo norte-americano do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Mas era difícil ignorar a energia positiva que rodeava o jovem líder dos Estados Unidos.

O presidente colombiano Álvaro Uribe era um dos vários líderes que conseguiram o desejado autógrafo de Obama. Ele mostrou uma mensagem rabiscada por Obama: "Para o presidente Uribe, com admiração."

"Barack Obama assinou essa pequena carta para mim... Eu vou pedir para enquadrá-la", brincava com repórteres do lado de fora do salão de conferências.

Em uma foto oficial, Obama conversava tranquilamente com esquerdistas como Chávez, que fez das críticas aos Estados Unidos, o coração de sua personalidade política.

Mesmo a cúpula "alternativa" era amistosa.

Antes, na Argentina, Chávez havia reunido milhares de manifestantes para protestar contra Bush e o livre comércio.

Mas em Trinidad, um pequeno grupo de manifestantes realizou uma "cúpula dos batuques," com bandeiras cubanas, instrumentos de percussão e imagens de Chávez e de Obama.

Chávez foi recebido, como sempre, por uma multidão de repórteres. Uma confusão envolvendo jornalistas que tentavam chegar ao presidente da Venezuela provocou a restrição da cobertura em alguns eventos da cúpula no sábado.

Mas a abordagem de "ouvir e aprender" de Obama ganhou muitas das figuras mais poderosas do hemisfério. Chávez presenteou Obama com o livro "As Veias Abertas da América Latina," que atingiu o segundo lugar na lista de vendas da Amazon.com neste domingo.

"Ele é um cara legal", disse o primeiro-ministro de St. Vincent e Granadinas, Ralph Gonsalves, antes de encerrar a cerimônia. "Ele é intelectual... e quer ter um bom começo."

(Reportagem adicional de Pascal Fletcher, Guido Nejamkis e Damian Wroclavsky, em Port of Spain)

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