Simon defende atuação em crise amazônica no Peru

Lima, 25 jun (EFE).- O presidente do Conselho de Ministros do Peru, Yehude Simon, defendeu hoje a atuação do Governo nos protestos dos nativos amazônicos, que terminou com a morte de 24 policiais e 10 civis, e ouviu as críticas dos partidos opositores, que pediram sua censura.

EFE |

Simon foi ao Congresso da República acompanhado de seu gabinete para participar de uma interpelação à qual foi convocado junto com a ministra do Interior, Mercedes Cabanillas.

Durante sua apresentação, Simon afirmou que o Executivo peruano não aceita a violência como método para resolver os problemas e reafirmou sua disposição ao diálogo.

O primeiro-ministro disse que o Governo conseguiu manter a ordem pública e velar pela paz social ao ordenar a repressão das manifestações na Amazônia peruano, que em 5 de junho deixou 34 mortos.

Além disso, assegurou que a Polícia não foi enviada para "despejar" os indígenas que tomaram uma estrada na cidade de Bagua, mas para "desbloquear" essa rodovia.

Simon também afirmou que "setores interessados, impulsionados por cálculos políticos", foram responsáveis "de ter instigado os nativos e camponeses" da região.

"Estes setores continuarão buscando mortos para planejar um golpe de Estado, porque o que realmente querem é acabar com a democracia no país", alertou.

Já Cabanillas disse que existem "grupos radicais, financiados por outros países", que promovem a violência para implantar "um modelo de caos e anarquia" no país.

Cabanillas pediu aos partidos políticos que apóiem "a democracia" e não estimulem "ações que atentem" contra a estabilidade e o estado de direito no país.

Durante sua apresentação, a ministra assegurou que existe um projeto "absurdo e enlouquecido" que, segundo comentou, "procura capturar o poder gerando, para isso, protestos e manifestações de violência".

O presidente do Conselho de Ministros lembrou no começo da manhã que assumiu o cargo - em outubro - em um país "totalmente quebrado", mas com a convicção de que o presidente Alan García procura a paz e o fortalecimento da democracia.

Após o pronunciamento de Simon, vários legisladores de diferentes bancadas discursaram, e os grupos opositores pediram sua renúncia e anunciaram sua intenção de censurá-lo.

Ao término da interpelação, o porta-voz da bancada do Partido Nacionalista, Freddy Otárola, anunciou a apresentação de diferentes pedidos de censura de Simon e Cabanillas.

Otárola afirmou que estes pedidos, que deverão ser debatidos na próxima semana, serão baseados no fato de os ministros não admitirem sua responsabilidade nos incidente violentos, mas os atribuíram aos chefes da Polícia.

"Isto é lamentável e inadmissível", disse o legislador, que afirmou que a censura será apoiada pelo Partido Nacionalista, a aliança conservadora União Nacional, a fujimorista Aliança pelo Futuro e as bancadas independentes do Bloco Popular e da Aliança Parlamentar.

As comunidades amazônicas iniciaram um grande protesto em 9 de abril para exigir a eliminação de uma série de leis que consideravam prejudiciais a seus direitos.

Somente depois de 5 de junho a exigência dos indígenas foi atendida pelo Executivo, que pediu para o Congresso derrubar duas das mais polêmicas leis sobre a floresta e o uso de terras.

"Por uma questão de vida ou morte, tomei uma decisão que acredito ter sido muito para o país e para nossa tranquilidade", se justificou Simon.

A eliminação dessas duas leis gerou uma forte polêmica no Parlamento em torno dos direitos das comunidades e das remodelações da legislação peruana para adequá-la ao Tratado de Livre-Comércio com os Estados Unidos. EFE.

dub/mh

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