Silêncio no caso Ingrid pode ocultar intensa negociação

PARIS - O silêncio e o aparente insucesso da missão humanitária francesa que tem como objetivo prestar socorro médico à ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt pode estar escondendo uma intensa negociação de bastidores entre os países mediadores de um acordo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A opinião é de um dos maiores especialistas em América Latina da França, o cientista político Olivier Dabène, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po).

Agência Estado |

Docente da mesma universidade que formou Ingrid Betancourt - e também líderes políticos como Jacques Chirac -, Dabène disse, a partir da Venezuela, que não se convence totalmente com o aparente insucesso da operação de socorro e resgate iniciada pelo governo da França na quarta-feira.

AFP
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Betancourt tem vários problemas de saúde
Desde então, diplomatas, médicos e enfermeiros aguardam em um avião médico Falcon 50, da Força Aérea francesa, a autorização para partir ao encontro da refém, seqüestrada em fevereiro de 2002 com sua assessora quando tentava estabelecer o diálogo com o grupo guerrilheiro.

A franco-colombiana sofre de hepatite B, leishmaniose, malária e desnutrição, supostamente causada por uma greve de fome que teria sido iniciada em 23 de fevereiro. Segundo versões de camponeses divulgadas nos últimos dias, o estado de Ingrid é grave.

"Claro que fico pessimista com base nas notícias que recebemos", diz Dabène. "Mas as Farc sempre se mostraram muito imprevisíveis no trato dos reféns, ora recusando-se a libertá-los, ora libertando-os."

Reforçando a idéia de que as negociações ainda estão em andamento, o ministro francês de Relações Exteriores, Bernard Kouchner, disse ontem, em entrevista à rádio Europe 1, que seu governo continua aguardando um sinal dos guerrilheiros.

"As Farc devem responder. Nós estamos esperando, de prontidão em Bogotá", afirmou Kouchner. "Nós estamos tentando, tentando, tentando, e não há outra solução. Estamos movendo toda a América Latina, que está envolvida neste momento", acrescentou.

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* Andrei Neto, especial para AE

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