Sienna Miller chegou a acusar parentes por vazamentos a tabloide

Atriz, que prestou depoimento em caso de escutas ilegais britânicas, indicou que paranoia a fez pensar que amigos vendiam informações à imprensa

iG São Paulo |

A atriz Sienna Miller revelou nesta quinta-feira que chegou a acusar sua família de vender informações sobre sua vida à imprensa depois que o tabloide News of the World , centro do escândalo das escutas ilegais no Reino Unido, publicou detalhes confidenciais seus.

Reuters
A atriz britânica Sienna Miller chega à corte de Londres para prestar depoimento em investigação sobre escutas ilegais
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Sienna depôs na investigação sobre as escutas que está sendo realizada no edifício judicial do Royal Court of Justice de Londres, onde também comparecem a escritora JK Rowling e o ex-presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) Max Mosley.

Em sua declaração, a atriz, famosa por sua atuação no filme "Alfie - O Sedutor" ao lado do ator britânico e ex-namorado Jude Law, disse que as notícias vazadas sobre sua vida lhe causaram um grande mal-estar e relatou que chegou a pensar que alguns amigos a traíam.

Ao ver que os detalhes de sua vida particular apareciam publicados nos jornais, chegou a mudar três vezes o número de seu telefone em apenas três meses.

Sienna estava "bastante convencida" que, após mudar de número de telefone, os vazamentos não podiam ser resultado de escutas ilegais e, por isso, acusou sua família e amigos de fornecerem informações sobre sua vida.

"Sou sortuda, tenho um grupo muito bom de amigos e uma família que me apoia muito, e até hoje ninguém vendeu uma história sobre mim", acrescentou.

"Mas era surpreendente que certas informações continuassem aparecendo e a primeira medida que tomei foi mudar o número de celular. Depois mudei várias vezes, e terminei trocando três vezes em três meses", explicou Sienna.

Neste ano, a atriz aceitou, em um acordo extrajudicial, ser indenizada com 100 mil libras (R$ 286,7 mil) pelo News of the World, que admitiu ter escutado ilegalmente as mensagens de voz de seu telefone celular.

A investigação sobre o caso das escutas, a cargo do juiz Lord Leveson, dá ênfase à ética jornalística e foi iniciada após o escândalo da espionagem realizada pelo tabloide de Rupert Murdoch, que durante anos invadiu celulares de ricos e famosos.

Nesta semana também prestaram depoimento o ator britânico Hugh Grant e Gerry e Kate McCann, pais da menina Madeleine McCann desaparecida no Algarve, Portugal, em maio de 2007.

AP
A escritora J. K. Rowling prestou depoimento no inquérito sobre ética jornalística em Londres, no Reino Unido
Autora de 'Harry Potter'

A escritota J.K. Rowling, que prestou depoimento após Sienna, falou sobre o quão invasiva é a mídia quando se trata de sua vida particular, em especial, seus filhos. De acordo com a BBC, a autora, famosa por ter criado a saga Harry Potter, disse que uma repórter chegou a colocar um bilhete dentro da mochila escolar de sua filha de cinco anos para tentar contatá-la.

Em seu depoimento, ela disse que, obviamente, não podia colocar uma "capa da invisibilidade" sobre seus filhos para protegê-los, em referência a um artefato utilizado pelo personagem de seus livros. Rowling afirmou que sua família merecia privacidade e que ela sempre tentou protegê-la do assédio da imprensa, tomando medidas como cobrir seus filhos com cobertores para escondê-los de paparazzi.

"Eles (os filhos) não têm escolha sobre quem são seus pais ou como eles se comportam", afirmou. "Uma criança, não importa quem sejam seus pais, merece privacidade. Em um lugar em que as crianças são levadas em conta, isso é claro, como preto no branco."

Ela contou que uma vez, quando sua filha estava no primeiro ano da escola, abriu a mochila dela em uma noite, e "entre os bilhetes comuns que vêm da escola e as coisas de crianças, eu encontrei uma carta endereçada a mim e a tal carta era de uma jornalista".

"Eu me senti tão invadida que a mochila da minha filha...é muito difícil expressar o quão brava eu fiquei, porque não havia mais um lugar completamente livre de jornalistas para ela."

Rowling afirmou que ela não está entre as vítimas que tiveram seus telefones grampeados, porque, segundo ela, nos anos 1990, mal usava o telefone.

Com EFE e BBC

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