Sexofonia

Eu bem quem desconfiava. Pesquisador sueco não nega fogo.

BBC Brasil |

Quando está tudo quase que perdido, ele surge como uma infantaria americana de filme de faroeste e salva a situação.

Outro dia mesmo, um deles, ou uma provetagem (vide item Novocionário mais adiante) de pesquisadores descobriu que as baleias e os golfinhos na verdade não se comunicavam entre si: era apenas um barulho irracional que eles fazem sabe-se-lá porquê.

Volto ao coletivo de pesquisador sueco, à provetagem. Uma provetagem mostrou, sem deixar sombra de dúvida, que o cérebro de homens gays é fisicamente parecido com o das mulheres heterossexuais, enquanto que o de lésbicas se assemelha ao de homens heterossexuais.

Nós demos aqui mesmo, com o devido destaque, na BBC Brasil. Tudo feito sem tocar no cérebro de um gay, lésbica ou heterossexual. Pesquisa e nota bebeciana-brasileira. Só na base da ressonância magnética. O concerto, a ressonância foi impecável.

Nem mesmo um perfeccionista auricular musical do nível de João Gilberto (coletivo: aurogilbertomania. Continuem aguardando o Novocionário), dentro ou fora do Carnegie Hall, conseguiria achar defeito. A gente boa da provetagem da Universidade de Karolinska comparou as dimensões dos dois hemisférios do cérebro de 90 pessoas, entre homo e heterossexuais.

O que não ficou claro é a nacionalidade dos cientopesquisados (falta pouco para o Novocionário. Aguardem.). Teriam sido 90 suecos, entre gays, lésbicos e heteros? Se for, cientificamente, pelo menos aos meus olhos e cérebro leigo, a pesquisa foi para as blicas.

Quero ver é ir de ressonância magnética para cima de, digamos, uns 120 brasileiros. Aí a coisa toda muda de figura. Não porque tenhamos mais homossexuais ou heterossexuais do que o resto do mundo livre e/ou civilizado.

Apenas porque sexo é com a gente mesmo. De sexo, entendemos. De sexo, somos bons. À bessa. E isso não sou eu, com minha vasta experiência, quem o diz. Afirmação de americano, logo, dentro de nossos hemisférios existenciais e cerebrais, um luxo, um deslumbramento, digna até mesmo dos maiores encômios (no bom sentido, claro).

Deu lá no jornal esta semana mesmo. Miguel Fontes, da Universidade Johns Hopkins, especialista em saúde pública e coordenador de uma pesquisa recente sobre os hábitos sexuais das gentes das mais diversas partes do planeta (valeu Honduras e Suazilândia), chegou à conclusão de que vida sexual "feliz e satisfatória" é com brasileiro e brasileira, pouco importa a ressonância magnética homo ou heterossexual.

Segundo o ilustre, "os brasileiros se sentem mais confiantes em relação à sua sexualidade, até por conta de uma abertura maior que existe no país." Essa história de "abertura" me soou algo marota, mas, como sou leigo no assunto, deixo para lá. Mais: cuidado, professor, que o pessoal, no tocante e botante nessas coisas, mente.

A matéria foi amplamente divulgada e, só de passagem, com o que implico um pouco, mencionado o fato do estudo ser encomendado por uma fábrica de preservativos, as populares (ou pelo menos deveriam ser) camisinhas, conhecidas em certos meios esotéricos como "camisolas" - e, pelo amor de Zeus, não me perguntem porquê.

Novocionário
Na semana passada, um ator e comediante norte-americano, Rich Hall, ora em residência aqui no Reino Unido, escreveu e apresentou um longo documentário de 90 minutos sofre os filmes clássicos de faroeste.

Coalhado, se documentário coalha, de clipes, cinejornais antigos, recortes e sempre com o depoimento inteligente e minucioso do cavalheiro e cavaleiro (estava vestido para a ocasião) estabelecendo os paralelos entre filmes e política americana.

Lá estava, só para dar um exemplo óbvio, um clipe de Matar ou Morrer ilustrando o macartismo que tomou conta dos EUA nos anos 50.

Rich Hall, para mim, que só o conhecia da televisão, subiu muito no meu conceito. Impressionante, o homem não só fala como pensa e sabe das coisas. Ator, comediante, em geral não trabalha com essas armas.

Mais impressionado fiquei quando soube agora que Rich propôs e criou uma palavra: "singlet", que serviria para designar qualquer palavra que deveria constar, mas não consta, dos dicionários. Isso se presta a um divertido jogo de salão alfabetizado, dependendo das ressonâncias magnéticas dos cérebros daqueles que dele participem.

Dou o pontapé inicial. Ou melhor, dou o primeiro saque, já que as violências de Wimbledon prosseguem. Em tempo: tenho certeza que Millôr Fernandes, para variar, já chegou nesse terreno, grama ou saibro, primeiro, e, também para variar, ganhou de 10 a 0 de todo mundo.

Tentemos, em todo caso.

Expolohouaissdismônico - O indivíduo que consegue botar defeito no dicionário do Houaiss.

Aurogilbertomania - A obsessão com a reprodução perfeita de sons emitidos por voz e violão.

Lulágio - Imposto ou multa a ser cobrado de todos aqueles que façam qualquer espécie de restrição ao atual governo brasileiro.

Naomismo - Ilusão dos sentidos que faz com que uma pessoa se julgue privilegiada e com direito a tudo isso e o céu e seus pilotos também.

Globalisação - (com S mesmo) A vitória final e total da popular emissora, jornal e editora por sobre todos seus adversários.

Corrutela - Ato ilegal que envolve a transação ilegítima de letras P.

O resto... O resto, não sei, não. Me deu uma batapeguiça (indisposição para escrever as palavras de forma inteiriça, correta).

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