Seul propõe a Pyongyang iniciar negociações em fevereiro

Se confirmado, será o primeiro encontro entre os dois países desde ataque norte-coreano contra ilha sul-coreana em novembro

iG São Paulo |

O governo da Coreia do Sul propôs nesta quarta-feira negociações militares com Pyongyang a partir de fevereiro, informaram fontes governamentais sul-coreanas, abrindo assim a possibilidade de um primeiro encontro entre os dois vizinhos desde o bombardeio de 23 de novembro. Seul também convidou a Coreia do Norte para um diálogo bilateral para tratar do abandono do seu programa nuclear.

O Ministério da Defesa sul-coreano indicou ter enviado uma mensagem ao Norte para propor a data de 11 de fevereiro para um encontro na região fronteiriça de Panmunjom. Esse primeiro contato serviria para definir o calendário, a agenda e o local das negociações em alto nível, disse o ministério.

A Coreia do Sul aceitou na semana passada uma proposta do Norte de iniciar negociações militares "em alto nível" com o fim de acalmar tensões. Mas também havia advertido novamente que o Norte deveria admitir sua responsabilidade nos dois incidentes graves ocorridos em 2010, que pioraram claramente as relações entre o Sul e o Norte.

Em março, 46 marinheiros sul-coreanos morreram após o ataque à corveta "Cheonan", atribuído por uma investigação internacional ao regime de Pyongyang, que negou. No fim de novembro, o Norte bombardeou a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, deixando quatro mortos.

Também nesta quarta-feira o Ministério da Unificação sul-coreano voltou a exigir de Pyongyang o início de negociações separadas sobre a questão nuclear, como demonstração da vontade de avançar no desarmamento.

A China tenta retomar há meses as negociações multilaterais com o objetivo de tentar convencer a Coreia do Norte a abandonar o programa nuclear em troca de ajuda energética. Essas conversações, com Pequim como anfitrião, estão paralisadas desde abril de 2009. Seul deseja conversações intercoreanas sobre o tema.

Em meados de novembro, o regime de Pyongyang organizou a visita de um especialista americano à instalação nuclear de Yongbyon, uma enorme usina de enriquecimento de urânio dotada de mais de mil centrífugas.

Em sua visita de meados de janeiro a Washington, o presidente chinês, Hu Jintao, pela primeira vez se mostrou preocupado, como os EUA, por essa nova usina norte-coreana de enriquecimento de urânio.

Exposição de arte

Foi aberta nesta quarta-feira em Seul a exibição de arte do artista Song Byeok, um desertor norte-coreano. Uma das obras mostra um sorridente Kim Jong Il, o líder da Coreia do Norte, com o corpo da estrela americana Marilyn Monroe segurando seu vestido branco esvoaçante, em cena clássica do filme "O Pecado Mora ao Lado".

A imagem teria sido impensável no antigo emprego de fazer pôsteres de propagando no Norte, com slogans como "Deixe-nos Exaltar o Grande Líder".

"A liberdade de expressão não tem espaço na Coreia do Norte", disse Song. "Aqui na Coreia do Sul, as pessoas podem desenhar o que querem. Então cada pintura reflete a personalidade do artista."

*Com AFP, EFE e AP

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