Seul fará novos exercícios militares perto da fronteira com a Coreia do Norte

Em meio ao aumento de tensão regional, novas manobras com munição real acontecerão a 20 km ao sul da fronteira entre as Coreias

iG São Paulo |

A Coreia do Sul iniciará na quinta-feira novas manobras militares terrestres, aéreas e navais com fogo real na Província de Gyeonggi, perto da fronteira com a Coreia do Norte, informou nesta quarta-feira a agência sul-coreana "Yonhap". Na segunda-feira, Seul realizou polêmicos exercícios militares perto da tensa fronteira intercoreana no Mar Amarelo.

Vistos como uma nova demonstração de força de Seul perante o regime de Pyongyang, os exercícios militares ocorrem em Pocheon, a 20 km ao sul da fronteira entre as Coreias, em meio a um momento de tensão na península, após o ataque norte-coreano de 23 de novembro à ilha sul-coreana de Yeonpyeong, que deixou quatro mortos.

Reuters
Soldados sul-coreanos patrulham área costeira em Dangjin, a cerca de 120 quilômetros ao sul de Seul
As manobras terão a participação de 800 soldados, o maior número de tropas terrestres utilizados até o momento em um treino na área, além de helicópteros, seis aviões de combate, tanques, mísseis antitanque, canhões e lança-foguetes.

Essas operações coincidirão com outros exercícios navais rotineiros que a Coreia do Sul realiza desde esta quarta até sexta em águas do litoral oriental da península, no Mar do Japão. Os exercícios acontecem a quase 100 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte, com a participação de seis navios de guerra e helicópteros.

O objetivo das manobras é treinar as tropas para uma resposta em caso de invasão de submarinos ou navios de patrulha da Coreia do Norte em águas sul-coreanas. "Os exercícios demonstrarão a solidez de nossa preparação militar", declarou o comandante do I Batalhão Armado, Choo Eun-Sik, à agência Yonhap.

"Vamos executar represálias severas caso o Norte se aventure em outro ato de provocação como o bombardeio de Yeonpyeong", acrescentou. Em 23 de novembro, a Coreia do Norte disparou 170 peças de artilharia contra Yeonpyeong.

O bombardeio, o primeiro ataque a uma zona habitada por civis desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), matou dois militares e dois civis sul-coreanos e desatou uma onda de protestos ao redor do mundo.

Na segunda-feira, Seul realizou breves exercícios militares com munição real na ilha de Yeonpyeong, apesar das ameaças de graves represálias feitas por Pyongyang. Mas a Coreia do Norte decidiu não responder às manobras.

Segundo o embaixador chinês na ONU, Wang Min, nos últimos dias as Coreias estiveram a ponto de entrar em guerra. "Esperamos que possamos manter a calma", afirmou na terça-feira. "Mas as divergências duram décadas, não são de ontem. É pouco provável que o problema possa ser resolvido em uma noite", acrecentou.

Na segunda-feira, Pyongyang aceitou o retorno dos inspetores nucleares da ONU que havia expulsado em abril de 2009, segundo o governador do Estado americano do Novo México, Bill Richardson, que já foi embaixador do país na ONU. Ele fez uma visita de cinco dias ao país, que foi qualificada de "privada" por Washington.

Mas o gesto de aparente abertura, que segundo os analistas demonstra a vontade da Coreia do Norte de iniciar o diálogo com os Estados Unidos, recebeu até o momento uma reação cética de Washington.

"Deixando de lado os discursos e a retórica, sabem o que devem fazer para que se transformem em um membro respeitado da comunidade internacional", declarou o porta-voz do presidente Barack Obama, Robert Gibbs, sobre os dirigentes norte-coreanos. "As conversações multilaterais serão retomadas quando os norte-coreanos demonstrarem a vontade de mudar sua atitude", completou.

Em abril de 2009, Pyongyang abandonou as negociações multilaterais (que envolvem as duas Coreias, Japão, Rússia, Estados Unidos e China) e um mês depois executou o segundo teste nuclear de sua história.

*Com AFP e EFE

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