Seul, 3 ago (EFE).- O Ministério da Unificação da Coréia do Sul considerou hoje incompreensível a decisão norte-coreana de expulsar trabalhadores sul-coreanos desnecessários do complexo turístico conjunto em Geumgang, na Coréia do Norte.

"Lamentamos que a Coréia do Norte esteja tomando medidas incompreensíveis, inclusive enquanto se negaram a cooperar na investigação", disse o porta-voz ministerial Kim Ho-nyoun, em comunicado oficial divulgado pela agência de notícias sul-coreana "Yonhap".

A Coréia do Norte anunciou hoje, em comunicado, que expulsará o pessoal sul-coreano "desnecessário" que trabalha no complexo turístico de Geumgang, onde uma turista da Coréia do Sul morreu baleada no mês passado.

Park Wang-ja, uma dona de casa de 53 anos, morreu em julho após ser atingida por tiros disparados por um soldado norte-coreano nos arredores de Geumgang, quando entrou, aparentemente sem saber, em uma área militar restrita.

Foi o primeiro incidente desde o início da exploração turística da região, em 1998, como parte dos esforços de reconciliação entre as duas Coréias.

"O incidente é ruim visto de qualquer perspectiva, e também pelo bem das relações entre as Coréias e as normas internacionais", acrescentou o comunicado.

Cerca de 830 pessoas trabalham no complexo turístico de Geumgang, e mais de 200 são sul-coreanas, segundo a operadora de turismo Hyundai Asan.

Essa não é a primeira vez que a Coréia do Norte anuncia medidas de expulsão de trabalhadores sul-coreanos em instalações compartilhadas pelas duas Coréias.

Em março, Pyongyang expulsou funcionários sul-coreanos do complexo industrial de Kaesong, e em abril, um grupo de trabalhadores de uma obra em Geumgang.

No comunicado desta manhã, a Coréia do Norte também acusou o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, de conduzir "as relações entre as duas Coréias até uma fase catastrófica", e advertiu que tomará "fortes ações militares contra a mais mínima ação hostil dentro do complexo turístico".

A situação entre as duas Coréias esfriou desde a chegada do conservador Lee à Presidência sul-coreana, o que condicionou as relações com a Coréia do Norte aos avanços no processo da desnuclearização de Pyongyang.

As duas Coréias permanecem tecnicamente em guerra desde 1953, quando um conflito de três anos acabou com a assinatura de um armistício, e não de um tratado de paz. EFE ce/wr/an

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