Seul desvia voos e navios após ameaça norte-coreana

(Acrescenta três parágrafos no fim) Cecilia Heesook Paek. Seul, 6 mar (EFE).- A Coreia do Sul desviou hoje voos e navios do território da Coreia do Norte depois que Pyongyang ameaçou a segurança dos aviões civis sul-coreanos, aumentando ainda mais a crise na Península.

EFE |

A tensão cresce entre os dois países vizinhos e inimigos enquanto o regime de Pyongyang segue aparentemente com seus preparativos para o lançamento de um míssil de longo alcance, em desafio à comunidade internacional.

A Coreia do Norte ameaçou ontem que "não poderá garantir a segurança" dos aviões civis sul-coreanos que voarem próximos ao seu território devido às manobras militares conjuntas previstas entre Coreia do Sul e Estados Unidos e, por isso, Seul decidiu desviar os voos de suas duas companhias aéreas, Korean Air e Asiana Airlines.

A medida afetará cerca de 200 voos de 14 rotas diárias durante as próximas duas semanas, até o fim das manobras militares, que acontecerão de 9 a 20 de março.

A ameaça foi explicitamente dirigida contra os voos sul-coreanos por isso, até o momento, as companhias aéreas estrangeiras não comunicaram alterações em suas rotas.

Além disso, as autoridades de Seul decidiram hoje desviar o trajeto dos navios comerciais que navegam no Mar do Japão diante de possíveis provocações norte-coreanas nessa zona de fronteira.

Esta medida afeta os 13 navios de contêineres que navegam entre a cidade sul-coreana de Busan e a Rússia e permanecerá em vigor até que a tensão diminua, segundo a agência local "Yonhap".

Em comunicado oficial, Pyongyang declarou ontem à noite que "não é possível garantir a segurança para os voos civis sul-coreanos" próximo ao seu território, "sobretudo ao redor do Mar do Japão".

Trata-se da resposta do país comunista às manobras militares entre Coreia do Sul e EUA, que começarão nesta segunda-feira como parte de seus exercícios anuais, simulando uma hipotética guerra com a Coreia do Norte.

Pyongyang tachou essas manobras de um prenúncio de invasão, abrindo a possibilidade de um conflito armado entre as duas Coreias, que estão tecnicamente em guerra desde 1953, quando seu conflito bélico de três anos terminou sem a assinatura de nenhum tratado de paz.

Seul não demorou em reagir e exigiu hoje que a Coreia do Norte retire de forma imediata sua ameaça militar aos voos civis, que chamou de "violação das normas internacionais" e "ato desumano".

Em declarações passadas da Indonésia, onde se encontra em visita oficial, o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, pediu o "fim imediato" das ameaças norte-coreanas e disse que o aumento das tensões tem efeito negativo não só para o futuro das relações intercoreanas, mas para a paz mundial.

A tensão entre as duas Coreias cresceu nas últimas semanas, após o Norte comunista admitir que prepara o lançamento de um satélite de telecomunicações, que Seul desconfia que será, na verdade, um míssil de longo alcance.

A suspeita remonta a 1998, quando o Governo norte-coreano lançou o míssil Taepodong-1, de curto alcance, após anunciar que se trataria de um satélite.

Além disso, em janeiro, a Coreia do Norte declarou a anulação de todos os acordos de não-enfrentamento político e militar com a Coreia do Sul e recentemente advertiu que poderia ocorrer uma guerra.

A ameaça norte-coreana coincide com a chegada, amanhã, a Seul, do representante especial americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, para tentar avançar na desnuclearização de Pyongyang.

Bosworth, que está em viagem por China, Japão e Coreia do Sul, se encontrará em Seul com as autoridades sul-coreanas e russas, como o compromisso final de sua viagem pela Ásia.

Em Tóquio, o representante americano advertiu que, da mesma forma que o Japão, considera que o lançamento de um míssil ou um satélite pela Coreia do Norte violaria as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. EFE ce/jp

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