Seul confia em retomar em breve o diálogo para desnuclearização de Pyongyang

SEUL - Os negociadores de seis lados se reunirão em breve para retomar o processo de desnuclearização da Coreia do Norte, após os Estados Unidos terem retirado neste sábado o país comunista de sua lista negra, segundo foi anunciado neste domingo em Seul.

Redação com EFE |

Acordo Ortográfico A decisão dos EUA de tirar a Coreia do Norte da lista de países que patrocinam o terrorismo foi apoiada neste domingo pela Coreia do Sul, enquanto o Japão não escondeu seu mal-estar, porque o litígio do sequestro de cidadãos japoneses continua sem ser resolvido.

O Governo japonês insistiu neste domingo na necessidade de solucionar os sequestros de seus cidadãos pela Coreia do Norte nos anos 70 e 80, com o ministro das Finanças, Shoichi Nakagawa, assinalando em Washington que a decisão dos Estados Unidos era "lamentável".

Mas Coreia do Sul e Japão confiaram em que as conversas de seis lados, nas quais participam as duas Coreias, China, Rússia, Japão e EUA e estão há meses estagnadas, serão retomadas em breve para impulsionar a completa desnuclearização norte-coreana.

"A intenção é devolver a reunião de seis lados a seu ritmo habitual e criar uma situação na qual a Coreia do Norte abandone definitivamente seu programa nuclear", disse hoje o negociador sul-coreano no diálogo nuclear, Kim Sook, em entrevista coletiva.

A Coreia do Norte demorou 20 anos para sair da "lista negra" dos EUA sobre os países que patrocinam o terrorismo, após ter sido incluída em 1988 por sua participação na destruição de um avião sul-coreano de passageiros.

Washington tomou esta decisão após a viagem realizada na semana passada a Pyongyang por seu representante nas conversas nucleares, Christopher Hill.

Agora a principal tarefa da próxima reunião de seis lados é definir o mecanismo para verificar o potencial nuclear da Coreia do Norte, ao que esse país acedeu, segundo os EUA.

O setor conservador americano acusa o presidente George W. Bush de ter cedido demais a Pyongyang, enquanto o Japão parece o país mais reticente nas negociações.

O negociador sul-coreano ressaltou hoje que o acordo entre EUA e Coreia do Norte garante a participação dos seis países negociadores de seis lados no processo de verificação do atual potencial nuclear do país.

Segundo explicou, o acordo com os EUA estabelece uma verificação completa, que inclui o programa de enriquecimento de urânio e envolve a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) No entanto, fica no ar a parte não declarada no estoque nuclear, que deverá ser verificada quando se tiver conseguido o consentimento da Coreia do Norte.

Apesar de a Coreia do Norte ter entregado em junho seu inventário nuclear, o processo de desnuclearização sofreu uma brusca parada, por causa das divergências com os EUA sobre como promover essa verificação.

Pyongyang limitou a verificação a sua usina nuclear de plutônio de Yongbyon, enquanto Washington quer incluir o programa de enriquecimento de urânio, a suposta cooperação nuclear com a Síria e instalações nucleares não declaradas no inventário.

Além disso, com a retirada da "lista negra" a Coreia do Norte pretendia conseguir empréstimos das entidades financeiras internacionais para resgatar sua economia.

Mas analistas sul-coreanos acham que a iniciativa americana tem um significado por enquanto simbólico, pois a Coreia do Norte não poderá receber benefícios econômicos ao serem mantidas ainda uma série de sanções.

Nesta sexta-feira, o Japão prorrogou por seis meses as sanções econômicas a Pyongyang, que proíbem a importação de produtos norte-coreanos por parte do Japão, as exportações de muitos produtos japoneses ao país e a entrada em águas territoriais japonesas de navios de bandeira norte-coreana.

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