Por Frank Nyakairu NAIRÓBI (Reuters) - A pirataria no golfo de Áden já custou entre 18 e 30 milhões de dólares para o setor marítimo em 2008, ameaçando seriamente o comércio global, segundo relatório divulgado na quinta-feira pela entidade britânica Chatham House.

Os piratas sequestraram mais de 30 navios na costa da Somália neste ano, fazendo dos 3.300 quilômetros da costa desse país africano um dos trechos mais perigosos da navegação mundial, numa importante rota entre Europa e Ásia (via canal de Suez e mar Vermelho).

"O pagamento total de resgates em 2008 provavelmente está na casa de 18-30 milhões de dólares. A inflação dos pedidos de resgate faz desse um negócio ainda mais lucrativo", disse o relatório, intitulado "Ameaçando o Comércio Global, Alimentando Guerras Locais."

O resgate por barco neste ano varia de 500 mil a 2 milhões de dólares, um gasto que segundo a Chatham House pode desestimular o uso de uma rota pela qual passam anualmente 20 mil barcos. Para evitar essa região, é preciso contornar toda a África, o que provocaria aumento no frete e nos custos finais.

"Semanas adicionais de viagem e consumo de combustível iriam aumentar significativamente o custo do transporte de bens. Numa época em que o preço do petróleo é uma grande preocupação, qualquer coisa que possa contribuir para um maior aumento nos preços deve de fato ser considerado como algo sério", diz o estudo, citando ainda um aumento de dez vezes nas apólices de seguros neste ano.

O relatório acrescenta que os piratas estão cada vez mais sofisticados e ousados, e enfrentam pouca repressão. Eles usam GPS, telefones por satélites, granadas de propulsão e até sistemas antiaéreos portáteis em seus ataques.

No incidente mais recente, bandidos capturaram um navio ucraniano com 33 tanques de guerra, e agora exigem 20 milhões de dólares para devolvê-lo.

A maioria dos seqüestros ocorre no golfo de Áden, entre o Iêmen e o norte da Somália, no acesso do oceano Índico ao mar Vermelho.

Apesar da presença de bases militares norte-americanas e francesas na região, e das promessas do Conselho de Segurança da ONU de agir contra a pirataria, o relatório da Chatham House aponta uma falta de ações da comunidade internacional.

A Marinha dos EUA disse em setembro que uma força marítima internacional havia impedido 12 sequestros desde maio, mas que também cabe às empresas do setor tomarem medidas para proteger seus navios e tripulantes.

A Rússia anunciou no mês passado o envio de um navio militar para a costa somali, e o ministro alemão da Defesa, Franz Josef Jung, disse na quarta-feira que a União Européia pretende mandar três fragatas, um navio de abastecimento e três navios de vigilância.

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