Setor da telefonomia móvel começa a sentir os efeitos da crise

A indústria de telefonia móvel está começando a sentir os efeitos da crise: estão surgindo diferenças entre os fabricantes de redes e de telefones, os mais vulneráveis, e as operadoras, melhor protegidas.

AFP |

"Estamos enfrentando um desaquecimento sem precedentes", reconheceu nesta terça-feira Rob Conway, diretor da associação das operadoras GSM, no segundo dia da Feira Mundial da Telefonia Móvel de Barcelona.

"Mas o celular se tornou uma ferramenta tão indispensável e que contém tantas coisas que o impacto no setor deve ser limitado", declarou.

As operadoras continuam otimistas, mas o mesmo não ocorre com os fornecedores, em primeiro lugar os que fabricam suas redes: a pressão vai aumentar para os fabricantes de equipamentos de rede porque as operadoras vão procurar os preços mais baixos, disse Thomas Wehmeier, analista da Informa, num relatório da agência de telecomunicações das Nações Unidas.

"Estes fornecedores já estavam sob pressão dos operadores, com uma concorrência bastante alta entre os diferentes atores e a chegada dos fabricantes de equipamentos chineses como Huawei ou ZTE que praticam preços muito mais baixos", afirmou Thomas Husson, analista do gabinete Forrester.

O sueco Ericsson demitiu 5.000 funcionários, o canadense Nortel está em quebra, o fraco-americano Alcatel-Lucent, depois de ter cortado 16.500 vagas, teve perdas em 2008.

A situação pode se agravar. Vittorio Colao, presidente da Vodafone, convidou segunda-feira as operadoras a compartilhar suas redes para economizar em tempos de crise.

Na segunda escala, e um pouco menos ameaçados, estão os fabricantes de telefones. O instituto Gartner espera um recuo das vendas de celulares de 4 a 5% em 2009, a primeira vez desde 2001. Nokia, número um mundial, prevê uma queda das vendas de 10%. Motorola, Samsung ou Sony-Ericsson estão pessimistas.

"Corremos o risco de ter na Europa um prolongamento do ciclo de renovação dos terminais, os clientes vão talvez hesitar antes de mudar de telefone", disse Husson, que apresenta duas saídas de socorro para os construtores: "uma corrida em volume nos mercados emergentes e a preservação das margens no segmento de alta categoria dos smartphones".

Estes telefones multimídias, cujas vendas devem subir 32% em 2009, são as verdadeiras estrelas do Congresso de Barcelona, com todos os fabricantes centrados neste ramo.

"Mas uma consolidação do setor não está descartada, nem uma saída do mercado de alguns fabricantes de equipamentos como Motorola ou Sony-Ericsson", segundo Pierre Carbonne, analista da Idate.

Na última escala, as operadoras estão mais protegidas, porque se beneficiam de rendas recorrentes graças aos contratos com seus clientes, um gasto que este últimos terão dificuldades de sacrificar.

O crescimento do número de assinantes vai apenas desacelerar, passando segundo a Informa de 18,5% em 2008 a 12,7% em 2009, e não se inverter como a das vendas de telefones.

O que não impede as operadoras de ficarem preocupadas: a associação GSM lançou um apelo segunda-feira a uma regularização mais flexível do setor em tempos de crise, para que possa continuar investindo.

Para não fragilizar os fabricantes de equipamentos, as operadoras não devem ceder à reação instintiva de colocar o pé no freio dos investimentos, disse Alexander Izosimov, presidente da operadora Vimpelcom e presidente da GSM.

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