Setor agrário reivindica diálogo com Governo da Argentina

Buenos Aires, 22 jul (EFE).- As patronais rurais da Argentina pediram hoje ao Governo que defina interlocutores para retomar o diálogo, e reivindicaram um gesto à presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, para debater um plano agropecuário nacional.

EFE |

Carlos Garetto, titular em exercício da Coninagro, uma das quatro entidades mais importantes do campo, destacou que é hora de "debater políticas de Estado" para o setor, que acaba de protagonizar um conflito com o Governo de mais de quatro meses.

O dirigente foi um dos porta-vozes da reunião de hoje das patronais agrárias com o objetivo de ratificar seu alinhamento e de unificar uma posição "com vistas ao futuro".

O encontro aconteceu um dia depois de entrar em vigor a suspensão do esquema de impostos móveis às exportações de grãos, iniciativa que detonou a crise em março.

Garetto afirmou que somente a decisão de manter uma alíquota fixa para a venda de grãos "não contempla as expectativas" dos produtores, e insistiu em que o Governo e o campo devem retomar as conversas para definir uma política agropecuária.

Nesse sentido, destacou um projeto apresentado na semana passada pelo senador do governante Partido Justicialista Carlos Reutemann, que propôs um esquema diferenciado de impostos para os pequenos produtores.

"Essa iniciativa sintetiza o pensamento em geral, mas temos de pactuar com o Executivo toda a política agropecuária e depois buscar o respaldo de uma lei", afirmou o presidente da Coninagro.

Os dirigentes rurais foram apoiados pelo ex-presidente da Argentina Eduardo Duhalde (2002-2003), que disse que Cristina Fernández deve "acabar com os enfrentamentos e trabalhar contra a pobreza".

"Que Deus dê força à presidente para seguir trabalhando, e entendendo bem o que está acontecendo: os argentinos não precisam de mais enfrentamentos nem de brigar com ninguém, mas de trabalhar unidos contra a pobreza e a exclusão social", afirmou.

Duhalde disse ainda que a Argentina "tem todas as possibilidades" para crescer, e elogiou a discussão "profunda" no Senado do rejeitado projeto tributário, que em sua opinião deu lugar a "um clima de distensão que pode ser notado em todos os âmbitos".

"Não é o momento de falar sobre quem ganhou ou quem perdeu. Além dos resultados, a Argentina vive outro clima e a responsabilidade de mantê-lo é de todos", disse.

A suspensão do projeto dos impostos móveis foi anunciada na sexta-feira passada, um dia depois de os governistas não conseguirem o respaldo suficiente para passar a medida no Senado com o voto contra do vice-presidente Julio Cobos, que inclinou a balança a favor do campo.

Depois dessa derrota política e com o propósito de recompor sua imagem, desgastada pelo extenso conflito com o setor rural, Cristina Fernández estuda uma série de medidas e mudanças em seu gabinete de ministros. EFE cw/mh

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