Sete anos após o 11 de setembro o Afeganistão volta à primeira linha

Sete anos depois do ataque ao World Trade Center, o Afeganistão volta à primeira linha na guerra contra o terrorismo no momento em que a guerilha dos talibãs se fortalece e o conflito ameaça se estender para as zonas tribais do vizinho Paquistão.

AFP |

Menos de dois meses após os atentados de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos e seus aliados ocupavam este país de 32 milhões de habitantes para derrubar o regime dos talibãs, aliado da Al-Qaeda, e liquidar as bases de apoio da rede de Osama Bin Laden.

Mas hoje a batalha se torna mais intensa, os talibãs se reorganizam, principalmente no sul do país e nas zonas tribais paquistanesas ao longo de uma fronteira permeável, enquanto o governo de Cabul tem dificuldades para afirmar a sua autoridade.

O panorama é registrado apesar da presença de cerca de 70.000 soldados das forças da Otan (a Isaf) e da coalizão internacional 'Operation Enduring Freedom', sob comando dos Estados Unidos.

A exemplo do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, muitos são aqueles que consideram que os Estados Unidos, ao se aventurarem no Iraque, perderam de vista seu primeiro objetivo.

"Um dos maiores erros estratégicos que nós tivemos após o 11 de setembro foi o de não ter concluído nosso trabalho no Afeganistão", afirmou recentemente o senador Obama que, como seu rival republicano John McCain, quer reforçar as tropas no território afegão.

A escalada da violência no Afeganistão e a melhora relativa da situação no Iraque abrem caminho para um reordenamento militar americano, uma medida já pretendida pelo Pentágono, que poderá enviar mais 4.500 soldados ao Afeganistão ao término das eleições regionais no final do ano no Iraque.

Um general americano no Afeganistão, Jeffrey Schloesser, pediu o envio de reforços por considerar bastante provável que os talibãs armem uma ofensiva nesse inverno (hemisfério norte).

Os talibãs preparam "ataques espetaculares" e vão tentar "diminuir a determinação internacional minando as forças de nossos aliados", considerou.

O almirante Michael Mullen, o mais alto graduado americano, também advertiu para o fortalecimento dos talibãs cujos ataques são "cada vez mais sofisticados".

Mísseis americanos são jogados quase diariamente sobre os focos de resistência da Al-Qaeda nessas zonas tribais, mas causam um grande número de baixas entre os civis.

Mesmo as tropas americanas atacaram diretamente na semana passada um vilarejo fronteiriço, matando 15 civis, de acordo com Islamabad, arriscando desestabilizar o Paquistão, única potência militar nuclear do mundo muçulmano, que já enfrenta uma onda de atentados suicidas (1.200 mortos em um ano) e uma situação política muito instável.

No Afeganistão, as tropas da coalizão progridem regularmente, mas "a vitória é lenta", reconheceu o general Schloesser.

Os aliados dos Estados Unidos estão preocupados com a hostilidade em um país onde a resistência ao estrangeiro tem uma longa história, o que aumenta com o crescente número de civis mortos por erros nos bombardeios das duas forças internacionais.

bur/dm/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG