Alicia García de Francisco Redação Central, 11 set (EFE) - Já se passaram sete anos e os atentados de 11 de setembro de 2001 viraram inspiração para uma vasta quantidade de romances, especialmente de autores americanos, que inundaram as livrarias com repercussão mínima e pouca ou nenhuma originalidade em suas tramas. Apesar de grandes nomes da literatura em inglês, desde os britânicos Ian McEwan e Martin Amis aos americanos Paul Auster, Don DeLillo, Jonathan Safran Foer ou John Updike, terem se ocupado em levar estes fatos à ficção, suas obras não se destacam nem por seus argumentos nem por suas reivindicações estilísticas. A afirmação foi feita à Agência Efe pela diretora adjunta do Instituto de Literatura Comparada e Sociedade da Universidade de Columbia (Nova York), Rosalind C. Morris, que destacou que essa é precisamente uma das decepções, a falta de imaginação dos escritores.

Morris destacou que, em sua maioria, os livros baseados, inspirados ou que recriam de forma novelesca os atentados de 11 de Setembro, principalmente os de Nova York, não buscaram uma resposta do que aconteceu, nem sequer desde o aspecto formal.

Somente Jonathan Safran Foer, autor de "Extremely Loud and Incredibly Close: A Novel", inventou um texto e um estilo, mas "na maioria dos casos os escritores escreveram seguindo sua própria linha".

Talvez seja porque "enfrentar o trauma destes fatos é difícil para os americanos", porque foi algo "relativamente sem precedentes, imprevisto, que comoveu as pessoas".

"Há um contexto político global, mas parece uma metáfora inaceitável", explicou a professora, que ressaltou que uma característica típica da ficção americana é "perguntar-se por que isto e por que comigo".

A isso se soma o fato de que a literatura sobre o 11 de Setembro está principalmente dominada por escritores homens, o que faz com que sua visão seja bastante diferente e que reflita um trauma sem solução.

Morris deu como exemplo Don DeLillo, que, em seu livro "Falling Man", mostra um homem que se encontra perante uma situação sobre a qual não sabe responder porque não sabe o que está acontecendo.

"Don DeLillo está realmente preocupado com o fato catastrófico, inesperado, nem sequer se perguntar por que".

E, nesse sentido, "é muito gráfico" que seja o personagem de uma criança quem se atreve finalmente a exteriorizar o que sente porque "as crianças podem fazê-lo de uma forma na qual os adultos não fariam".

Em sua opinião, há uma grande maioria de escritores que tentaram, em seus livros, assumir uma experiência humana mais que encontrar uma resposta ao que aconteceu.

É o caso, por exemplo, de Paul Auster e seu "The Brooklyn Follies", um romance que o próprio autor descreveu como "uma elegia a uma forma de viver que desapareceu de uma tacada só em 11 de Setembro".

Um trauma que os escritores plasmaram em livros nos quais demonstram que a ficção não superou ainda a realidade e que se limitam a romancear os fatos, como a recriação que Martin Amis fez, em 2006, dos últimos dias de Mohammed Atta, o chefe da célula que jogou o primeiro avião contra uma das Torres Gêmeas.

Ou John Updike com "Terrorista", que entra na pele de um terrorista. Essa foi a forma de exorcizar seus demônios, após ter sido testemunha presencial da destruição das Torres Gêmeas.

"Pode ser que ainda seja em breve, pode ser que em 15 anos" surja, livros nos quais o objetivo não seja só exorcizar os temores, destacou Morris.

Porque o que é evidente é que, nos sete anos que se passaram, não houve grandes mudanças nem na forma na qual se vêem os fatos, nem de entendimento, nem em nível substancial, disse a professora, que ressaltou que nos Estados Unidos ainda há uma "forte resistência ligada à relação" deste país com o resto do mundo.

Em qualquer caso, o que fica comprovado com a existência destes romances é que não aconteceu o que o britânico Martin Amis lamentou pouco depois dos atentados: que "todos os escritores da Terra" estivessem pensando seriamente em "trocar de emprego". EFE agf/db

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