Serviços secretos contratam espiões

Belém Palanco Redação Central, 10 abr (EFE) - Os grandes serviços de inteligência internacionais, conhecidos graças a personagens famosos como James Bond, buscam potenciais candidatos a espiões em todos os lugares do mundo através de seus sites. Do Reino Unido até Israel, as agências de espionagem oferecem emprego a candidatos com aptidões diversas e que queiram servir pela causa e zelar pela segurança de um país no qual previamente estejam naturalizados. Assim, o futuro agente 007 do Serviço Secreto Britânico (SIS), conhecido como o MI6, se encontrará com um ambiente quase familiar, segundo seu site (www.sis.

EFE |

gov.uk), e terá "uma acolhedora boas-vindas" em um trabalho no qual as opções de socialização na sede central são um bar, o ginásio esportivo e a biblioteca.

Os espiões do Governo britânico em ultramar - de 21 a 65 anos - contam com facilidades para conseguir a conciliação profissional e pessoal, segundo o SIS, já que têm direito a férias (25 dias ao ano), com dias de acordo trabalhista (10,5) e as espiãs podem tirar seis meses de licença-maternidade.

Os futuros James Bond devem demonstrar talento, nível intelectual e curiosidade em temas internacionais e culturais, trabalhar sob pressão e no exterior, assim como mostrar sua integridade pessoal em uma equipe de grande diversidade étnica e social e na qual se admitem deficientes físicos.

Quantos mais idiomas os agentes dominarem, melhor, mas atualmente se exige principalmente fluência em árabe, dari e pashtun (Afeganistão), farsi (Irã) e mandarim (língua oficial da China).

Na Espanha, quem quiser se candidatar ao cargo de oficial de inteligência pode se inscrever no Centro Nacional de Inteligência (CNI), mas para isso deve ter ensino superior completo e não ter deficiências físicas.

Na França, as inscrições estão sempre abertas na Direction Générale de la Sécurité Extérieure (DGSE), onde o candidato a espião deve se submeter ao lema "Partout où nécessité fait loi" (Em qualquer lugar onde houver necessidade, fazer a lei) e escrever uma carta explicando por que quer ser agente secreto.

E para trabalhar na famosa CIA (agência central de inteligência americana) há uma ampla oferta de emprego para todo tipo de especialistas em ciência, engenharia, tecnologia, tradutores e analistas e agentes do serviço secreto para assuntos militares, de contra-inteligência e contra-terrorismo.

Para estes últimos postos, após passar por exames físicos, psicológicos, de poligrafia e atitude, o candidato - em alguns casos específicos - terá que se submeter a um treinamento de um ano.

Ele receberá um salário médio anual de US$ 49.394 a US$ 67.108, terá seguro-médico e de vida, cobertura de estudos, aposentadoria e, se tiver filhos, a CIA arca com a mensalidade da escola a qual freqüentam.

A agência -que recebe cerca de dez mil solicitações ao mês- não oferece um "emprego, mas uma perspectiva e um estilo de vida", no qual não se discrimina em razão de sexo, raça, orientação sexual, religião, deformidades e idade (embora para certos serviços o limite de entrada sejam 35 anos).

O candidato também pode ter tatuagem.

Por outro lado, o não menos legendário KGB soviético se tornou outros serviços de inteligência russos, entre eles o Serviço Federal de Segurança (FSB) e o Serviço de Inteligência Exterior (SVR), que não indicam quais as premissas necessárias para se candidatar a agente das instituições.

Mas, neste último aspecto, apenas é preciso mencionar o caso sem solução do ex-espião russo Alexander Litvinenko, que foi assassinado com a substância radioativa polônio-210 em novembro de 2006.

Já na América Latina há países com tradição de contra-espionagem, como Cuba, que conta com um serviço de inteligência exterior, conhecido como o DI, e na Argentina é possível se alistar na Secretaria de Inteligência, entre outros.

No Oriente Médio, os serviços de contra-espionagem e secretos são parte da sociedade e do conglomerado do Ministério da Defesa.

Assim, os agentes israelenses podem pertencer ao Mossad (Instituto de Inteligência e Operações Especiais) - trabalhando fora do país - ou ao Shabak, que opera em Israel e na Cisjordânia.

O Mossad não detalha, em seu site, as categorias oferecidas pela agência, nem seu salário ou condições trabalhistas.

A mesma dificuldade é encontrada nos serviços secretos iranianos, que, com o Ministério de Informação e de Segurança (Vevak), dispõem de uma das equipes de espionagem mais ativas e secretas do mundo e estão vinculados ao líder supremo e homem que detém a última palavra no Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Como indicou Sun Tzu, o autor de "A arte da guerra", livro chinês clássico sobre estratégia militar, "a boa inteligência é o prelúdio da vitória" e a internet, hoje em dia, ajuda as agências de espionagem a contratar os melhores candidatos a espião. EFE bp/db

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