TEGUCIGALPA - Os serviços de água e luz da embaixada brasileira em Honduras, que haviam sido cortados nesta terça-feira, foram restabelecidos, segundo informou o Itamaraty. O encarregado de negócios da embaixada, ministro Francisco Catunda Rezende, contou que os telefones do escritório continuam sem funcionar.


Os serviços básicos na zona da embaixada do Brasil, no bairro de Palmira, foram cortados depois que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, se refugiou no local. Segundo o próprio líder, os poucos alimentos acabaram e quase não há água na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

Reuters
Zelaya descansa em embaixada brasileira

Zelaya descansa em sala da embaixada brasileira

"Isso está ficando cada vez mais caótico", declarou Andrés Tamayo, um padre católico salvadorenho que vive há 26 anos em Honduras e se dedica ativamente à restituição de Zelaya ao poder. "Não temos comida. Há crianças, de dez a doze crianças, que não têm o que comer. Estamos em uma grande dificuldade", acrescentou.

A dificuldade em obter alimentos se deve ao toque de recolher de 26 horas imposto na segunda-feira e vigente até a noite desta terça. "Não deixam entrar a Cruz Vermelha porque, através deles, podemos receber comida", afirmou Tamayo, que chegou à embaixada na segunda-feira, pouco depois do meio-dia, e não pôde mais sair.

Zelaya, que se encontra junto a sua esposa Xiomara Castro e seu filho mais novo, José Manuel, ocupa uma sala da embaixada. Ele passou a noite em uma poltrona, enquanto muitos apoiadores dormiram no chão.

Refúgio na embaixada brasileira

Na última segunda-feira, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou a seu país e ficou refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Roberto Micheletti, presidente interino de Honduras, fez um pedido para que o Brasil entregue Zelaya à Justiça.

Em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse ter conversado diretamente com Zelaya por telefone. Segundo ele, o Brasil espera que a volta do presidente deposto a Tegucigalpa represente um novo estágio nas negociações com o governo interino.

Amorim afirmou que o Brasil "não teve nenhuma interferência" nos fatos que levaram à presença de Zelaya em sua embaixada, limitando-se a conceder permissão para que ele entrasse no prédio, algumas horas antes de sua chegada.


Zelaya acena para partidários na embaixada brasileira na última segunda-feira / AFP

Em um comunicado emitido na segunda-feira, o Conselho Permanente da OEA exigiu que o governo interino de Honduras ofereça "plenas garantias para assegurar a vida e a integridade física" do líder deposto Manuel Zelaya.

A entidade exigiu ainda a adoção imediata dos termos do Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Árias, que determina o retorno de Zelaya ao poder, a fim de que ele exerça o cargo até o fim de seu mandato, previsto para janeiro de 2010.

* Com AFP, Reuters e informações da BBC Brasil

Leia também:

Leia mais sobre Honduras


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.