Londres, 26 mar (EFE).- A Polícia investigará se algum agente dos serviços secretos britânicos MI5 foi cúmplice da suposta tortura do ex-detento da base americana de Guantánamo Binyam Mohammed, informou hoje a procuradora-geral, Patricia Scotland.

Mohammed, um etíope com residência britânica, recentemente voltou a Londres, onde acusou o MI5 de ter sido cúmplice com as torturas às quais foi submetido há mais de quatro anos no Marrocos.

Em comunicado, a procuradora-geral afirmou que espera que a Scotland Yard realize uma rápida investigação devido à "seriedade" e à "sensibilidade" do caso.

O diretor legal da organização Reprieve, Zachary Katznelson, que representa Mohammed, admitiu hoje sua preocupação pela possibilidade de que provas secretas sejam excluídas da investigação que as forças da ordem realizarão.

"A procuradora-geral fez hoje o que tinha que fazer. É importante que cheguemos ao fundo do que aconteceu com Binyam Mohammed e a participação de qualquer agente britânico em sua tortura", acrescentou.

"Mas, para que esta seja uma investigação adequada, a Polícia deve ter acesso a toda informação e isso inclui qualquer informação secreta", ressaltou Katznelson.

"Muitos dos documentos relacionados com o tratamento a Mohammed são confidenciais, tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, e a menos que a Polícia tenha acesso a eles, só verá uma pequena parte da história", destacou.

O etíope, que tem status de refugiado no Reino Unido, afirma que as pessoas que o torturaram recebiam perguntas de agentes secretos britânicos.

Mohammed chegou ao Reino Unido em 1994 como refugiado e trabalhou como zelador em Londres até 2001, quando viajou ao Afeganistão e ao Paquistão para, segundo seus advogados, superar seu vício em drogas.

Ele foi detido em 2002 no Paquistão, e afirma ter sido foi levado pela CIA (agência central de inteligência) de território americano a uma prisão do Marrocos, onde alega ter ficado durante 18 meses e sofrido torturas.

Em 2004, Mohammed foi levado ao Afeganistão, país a partir do qual foi transferido a Guantánamo. EFE vg/db

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