Sérvia se aproxima da UE após vitória de coalizão de Tadic em eleições

Belgrado, 11 mai (EFE).- A coalizão de legendas pró-UE liderada pelo Partido Democrático (DS), do presidente Boris Tadic, venceu hoje as eleições parlamentares da Sérvia, cruciais para o futuro do país.

EFE |

Com 34% dos votos já apurados, a Comissão Eleitoral confirmou a vitória do DS, com 36,39% do apoio, enquanto os ultranacionalistas do Partido Radical Sérvio (SRS) obtiveram 28,57%.

Antes de serem divulgados estes resultados oficiais, o Centro para as Eleições Livres e a Democracia (Cesid) anunciou que a lista pró-UE liderada por Tadic obteve 39% dos votos segundo pesquisas de boca-de-urna.

Estas mesmas sondagens davam aos nacionalistas 28,6% dos votos.

O presidente Tadic declarou, após conhecer os primeiros resultados que lhe davam a vitória, que "os cidadãos da Sérvia confirmaram sem ambigüidades o rumo europeísta do país e disseram que querem que a Sérvia se encontre o mais rápido possível na UE.

Nós cumpriremos isto. Esta foi nossa promessa".

"Outro objetivo estratégico é a preservação da integridade territorial do país. Não reconheceremos o Kosovo, lutaremos pela integridade com todos os meios pacíficos e diplomáticos", declarou Tadic em entrevista coletiva na sede de seu partido.

Ele reivindicou a vitória e agradeceu aos cidadãos sérvios pelo "alto grau de responsabilidade, apesar dos grandes desafios" que a Sérvia enfrenta após a proclamação unilateral da independência do Kosovo, em fevereiro passado.

Também afirmou que "não é hora para festejar" e que está preparado para "iniciar já esta noite" as negociações sobre a formação de um novo Governo, uma tarefa que os analistas prevêem difícil.

De fato, o líder do nacionalista SRS, Tomislav Nikolic, advertiu a Tadic que não se atribua a vitória e anunciou que entrará em contato com outros partidos, especialmente os socialistas e com o Partido Democrático da Sérvia, do atual primeiro-ministro Vojislav Kostunica, para tentar formar uma equipe de Governo.

O pleito de hoje foi convocado de forma antecipada diante do desacordo entre os membros da coalizão governamental sobre a vinculação ou não da proclamação da independência do Kosovo com o processo de aproximação da Sérvia à União Européia (UE).

A Sérvia, que desde a derrota do líder autoritário Slobodan Milosevic em 2000 parecia unida em torno do objetivo de ingressar na UE, se partiu em duas diante do apoio de muitos países europeus ao Kosovo apesar da oposição de Belgrado.

O partido de Kostunica se situou na terceira posição, com 11,6% dos votos.

Segundo este resultado, o partido de Kostunica, um pró-europeu que desde o ano passado compartilhava o Governo com o DS, mas que se transformou em um implacável crítico da União Européia (UE), poderia dispor de 30 cadeiras em um futuro Parlamento.

Logo depois aparece o Partido Socialista da Sérvia (SPS), fundado por Milosevic, que obteve 8%, ou 21 cadeiras, e que é considerado uma das surpresas destas eleições.

Também entrará no Parlamento o Partido Liberal-Democrático (LDP), com pouco mais de 5% de votos, o equivalente a 13 cadeiras.

Cerca de 6,7 milhões de cidadãos com direito a voto tinham que escolher hoje os 250 deputados do Parlamento entre candidatos de 22 partidos e coalizões, quase a metade deles das minorias.

Foi registrada uma alta participação, de 60,7% do censo eleitoral, ou 4,1 milhões de eleitores em números absolutos, dado que confirma um alto interesse dos cidadãos por estas eleições. EFE sn/fal

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