Sérvia rejeita recurso contra extradição de Ratko Mladic a Haia

Entrega de ex-comandante servo-bósnio a tribunal de crimes de guerra deve ocorrer nas próximas 24 horas

iG São Paulo |

AP
Foto fornecida pelo jornal Politika do ex-comandante do Exército servo-bósnio Ratko Mladic, que foi preso em 26/05/2011
Um painel de três juízes rejeitou uma apelação do acusado do ex-comandante servo-bósnio Ratko Mladic , de 69 anos, para evitar sua extradição para o tribunal de crimes de guerra da ONU em Haia, anunciou nesta terça-feira porta-voz da Alta Corte de Belgrado, Dusica Ristic.

O promotor-chefe de crimes de guerra da Sérvia, Vladimir Vukcevik, disse que Mladic, preso na quinta-feira na aldeia de Lazarevo , ao nordeste de Belgrado, será enviado à na Holanda "o quanto antes". A extradição depende de quando o ministro da Justiça sérvio assinará a ordem, mas espera-se que isso seja feito rapidamente, abrindo caminho para sua entrega imediada ao tribunal. Segundo autoridades, o processo deve ocorrer nas próximas 24 horas.

Como a transferência de Mladic a Haia é considerada uma operação de risco, será realizada em segredo, sendo divulgada apenas quando estiver finalizada, informaram autoridades sérvias. O mesmo procedimento foi usado para a extradição há três anos de Radovan Karadzic , outro criminoso de guerra servo-bósnio.

O recurso contra a extradição para o Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII) foi recebido nesta terça-feira pela Justiça sérvia. A defesa de Mladic baseou seu recurso no suposto mal estado de saúde do ex-comandante. Na sexta-feira, a Justiça sérvia já havia determinado que Mladic está em condições de ser extraditado .

Mladic é acusado no tribunal de atrocidades cometidas pelas tropas sérvias durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), incluindo o massacre de até 8 mil muçulmunos bósnios na cidade de Srebrenica , em 1995, e o cerco brutal de 43 meses a Sarajevo.

No início desta terça-feira, Mladic foi brevemente solto de sua cela, viajando em um comboio altamente secreto para um cemitério em Belgrado onde deixou uma única vela no túmulo de sua filha Ana, que se suicidou durante a Guerra da Bósnia.

Segundo o promotor-adjunto de crimes de guerra sérvio, Bruno Vekaric, a operação, considerada de grande risco para a segurança, foi realizada durante 22 minutos e transcorreu sem problemas.O acusado pediu nos últimos dias permissão para ver o túmulo de sua filha, que se suicidou aos 23 anos, em 1994. Sua família, no entanto, acredita que ela foi assassinada.

Pensão para a família

A defesa de Mladic solicitou que a família do acusado disponha de sua pensão de 900 euros por mês, congelada desde 2005. O advogado Milan Saljic apresentou a solicitação à Justiça sérvia para que o ex-comandante assine um documento que autorizaria seu filho a receber sua pensão, informou o diário "Politika" nesta terça-feira.

As autoridades proibiram em 2005 o pagamento da pensão a Mladic por considerar que esse dinheiro poderia ser usado para financiar sua fuga. O ex-comandante ficou foragido por 16 anos.

A defesa assegura que Mladic tem direito a uma pensão de 90 mil dinares por mês (cerca de 900 euros). Considerando-se a quantia que teria se acumulado desde 2005, diz a defesa, ele teria direito a receber mais de 4,7 milhões de dinares (47 mil euros).

*Com AP, AFP e EFE

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