Snezana Stanojevic. Belgrado, 9 nov (EFE) - Uma viagem ao passado romano na Sérvia poderá transformar este país balcânico em um centro cultural e turístico do sudeste da Europa, afirmaram os autores do projeto denominado Itinerarium Romanum Serbiae. A idéia é unir em uma rota de 600 quilômetros seis importantes cidades da época romana no território da atual Sérvia, explica à Agência Efe o arqueólogo Miomir Korac, do instituto de arqueologia Sanu. Trata-se de Sirmium (hoje Sremska Mitrovica), Singidunum (Belgrado), Viminacium (próximo de Kostolac), através de Djerdap até Felix Romuliana (próximo de Zajecar), declarada patrimônio universal da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Mediana (Nis) e Iustiniana Prima (Lebane). Todos esses (...

) são lugares de nascimento de imperadores romanos. Nossa vantagem é que, de cerca de 90 imperadores romanos, 18 nasceram em território da atual Sérvia", diz Korac.

"Levando em conta que os romanos já uniram o mundo de sua época com as vias que construíram, e que temos a 'marca' de 18 imperadores, é normal vinculá-las. É uma jóia a mais no legado cultural de nosso planeta", acrescenta.

O mais importante entre esses imperadores é Constantino, nascido em Nis, que em 313 emitiu o Édito de Milão, o qual reconheceu a liberdade da religião cristã.

Korac, que assegura que esse projeto é "dos mais importantes da Sérvia", diz que essa rota cultural tem como objetivo fazer uma conexão com outros países para dar nova vida aos caminhos romanos, como foi a Via Militaris, que ia desde o norte da Itália através dos Bálcãs até o sul da Europa.

Ele explica esse projeto deve incluir uma série de instituições, "desde o turismo até a economia".

O sítio arqueológico de Viminacium, na confluência do Mlava e do Danúbio, 70 quilômetros ao leste de Belgrado, é o modelo para o desenvolvimento do projeto.

Em Viminacium, os visitantes são recebidos por cônsules e senadores romanos vestidos com togas e túnicas, e são levados em carros romanos ao "mundo subterrâneo", onde têm acesso aos melhores afrescos da antigüidade tardia.

Depois vão à taverna, às termas, as maiores da região, e a outros numerosos pontos do sítio arqueológico.

"Regemo-nos pela velha máxima propagada pela Unesco, de que o mais importante quando alguém chega a um sítio arqueológico ou a um legado cultural é a experiência", diz Korac.

Viminacium, a capital da antiga província romana de Moesia Superior, em seus melhores tempos tinha aproximadamente 30 mil habitantes e foi um dos poucos lugares do Império Romano onde eram cunhadas moedas.

Korac explica que se prevê a construção em cada 10 quilômetros da via de pensões ao estilo romano, com um máximo de dez quartos em cada uma, localizadas em ambiente natural, entre trigo, milho, alfafa, a maioria à margem do Danúbio.

No itinerário se encontra Felix Romuliana, incluída em 2007 na lista da Unesco com seu palácio do imperador Galério, construído no final do século III e início do IV, um dos monumentos mais bem conservados da arquitetura romana.

A idéia é conectar no futuro a rota com outros sítios arqueológicos romanos na Itália e em outros países.

"É uma ocasião para se somar aos membros da ampla família européia", diz Korac, que ressaltou que os arqueólogos "apagam com facilidade as fronteiras". EFE sn/ab/db

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