Sérvia quer melhorar relação com Kosovo, diz presidente

BELGRADO - A Sérvia deposita em uma sentença da justiça internacional as esperanças de melhorar suas relações com Kosovo, mas jamais reconhecerá a independência dessa região, disse na segunda-feira o presidente sérvio, Boris Tadic.

Reuters |


Na terça-feira completa-se um ano da declaração de independência de Kosovo, à qual a Sérvia se opôs. Belgrado considera essa província de maioria albanesa como o berço da sua identidade religiosa e nacional.

No ano passado, a Sérvia pediu à Corte Internacional de Justiça, de Haia, que se pronuncie sobre a legalidade da secessão kosovar. Mas a sentença pode levar anos, e não será de cumprimento obrigatório.

"A única forma de começarmos a conversar sobre o status futuro de Kosovo e uma solução de compromisso é com a sentença judicial", disse Tadic à Reuters.

O recurso à corte implica que a Sérvia aceitará a decisão, qualquer que seja. Mas Tadic reiterou a posição que continua sendo um imperativo político no país: "A Sérvia nunca tomará uma só ação que implique a independência de Kosovo".

Kosovo é patrulhada por tropas da Otan e administrada por missões da União Europeia e da ONU, dez anos depois do final do conflito entre sérvios e albaneses, quando a Otan bombardeou as forças sérvias para suprimir a repressão aos albaneses.

Mais de 200 mil sérvios e outros não-albaneses fugiram de Kosovo desde então, temendo represálias de seus vizinhos albaneses. A maioria permanece na Sérvia.

"A Sérvia quer um retorno à vida normal em Kosovo", disse Tadic. "A proteção dos direitos humanos e das minorias por lá está abaixo de um nível aceitável, e não vimos muitos retornados (sérvios)."

Os EUA, 22 dos 27 países da UE e vários outros países já reconheceram a independência de Kosovo, mas outros, inclusive Rússia e China, com poder de veto no Conselho de Segurança, não o fizeram.

Tadic disse que a Sérvia não bloquearia a ascensão de Kosovo a agências financeiras internacionais, com a condição de que o território seja representando nessas instâncias pela Missão da ONU em Kosovo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu a independência de Kosovo no ano passado e disse que consideraria sua adesão "oportunamente". Kosovo também se candidatou a aderir ao Banco Mundial.

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