Sérvia prende Karadzic, acusado de crimes de guerra

Por Ellie Tzortzi BELGRADO (Reuters) - O ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic, um dos homens mais procurados do mundo por causa do seu envolvimento em massacres contra civis durante a Guerra da Bósnia, foi preso e será entregue ao tribunal de Haia, disse o governo da Sérvia na segunda-feira.

Reuters |

A prisão dele e de outros réus do tribunal da ONU era uma pré-condição para a entrada da Sérvia na União Européia.

A UE disse que a prisão, aparentemente ocorrida em Belgrado, será um marco nas aspirações sérvias de adesão ao bloco. A Otan também elogiou o fato como sendo 'uma boa notícia para a comunidade internacional'.

Na terça-feira, chanceleres europeus devem discutir o estreitamento de relações com a Sérvia agora sob um governo pró-Ocidente, liderado pelo Partido Democrático, do presidente Boris Tadic.

Karadzic estava foragido desde 1997. Desde então, o Ocidente suspeitava da má-vontade de Belgrado em capturá-lo, até que o novo governo demonstrasse a intenção de fazê-lo.

Fontes próximas ao governo disseram que Karadzic, facilmente reconhecível por sua longa cabeleira grisalha, foi detido em Belgrado e estaria sendo submetido ao processo formal de identificação -- inclusive por meio de exame de DNA. Durante a noite, deve ser ouvido por investigadores.

O gabinete presidencial confirmou em nota a prisão de Karadzic, mas sem dar detalhes.

O Ocidente acredita que a Sérvia também teria condições de prender Ratko Mladic, que foi o comandante militar dos sérvios da Bósnia durante a guerra de independência do país (1992-95).

Karadzic, que era o líder civil daquele grupo, foi indiciado pelo tribunal de Haia em julho de 1995, sob a acusação de ter ordenado disparos contra civis durante os 43 meses do cerco a Sarajevo.

Quatro meses depois, sofreu um segundo indiciamento por genocídio, por ter supostamente orquestrado a morte de cerca de 8.000 muçulmanos em Srebrenica, uma cidade no leste da Bósnia que foi ocupada pelas forças de Mladic depois de ser abandonada pela ONU.

Karadzic passou à clandestinidade em 1997, dois anos depois da intervenção da ONU que acabou com a guerra de independência da Bósnia, que foi parte do longo processo de esfacelamento da Iugoslávia.

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