Sérvia prende 4 ex-policiais por assassinatos em Kosovo em 1999

BELGRADO (Reuters) - A corte dos crimes de guerra da Sérvia sentenciou quatro ex-policiais nesta quinta-feira a penas de 13 a 20 anos de prisão pelo assassinato de 50 albaneses de Kosovo, encontrados queimados com centenas de outros em uma vala comum, próximo de Belgrado. Radojko Repanovic e Sladjan Cukaric foram condenados a 20 anos de prisão, enquanto Miroslav Petkovic e Milorad Nisavic pegaram 15 e 13 anos por matar civis, inclusive uma mulher de 100 anos e um bebê de 9 meses na cidade Suva Reka, em Kosovo.

Reuters |

"Eles foram tidos como culpados por cometer crimes de guerra contra civis", disse o juiz Vinka Beraha Nikicevic enquanto lia o veredicto.

O painel de juízes libertou Zoran Petkovic, Nenad Jovanovic e Radoslav Mitrovic, que era chefe de polícia na época. Todos os acusados eram da cidade Suva Reka, no sul de Kosovo.

Os assassinatos aconteceram dois dias após a Otan lançar sua campanha de bombardeio de 78 dias para expulsar as forças sérvias de Kosovo, acusando-os de atrocidades contra civis albaneses em uma guerra de dois anos contra guerrilhas separatistas.

Todas as vítimas, exceto duas, eram da mesma família, foram levadas até um café e baleadas até a morte. Dentre os mortos, estavam 14 crianças e uma mulher grávida.

Os corpos estavam entre mais de 800 levados ao norte desde Kosovo e foram enterrados em covas em um campo de treinamento policial fora de Belgadro e a leste da Sérvia.

Os restos foram desenterrados em 2001, depois que reformistas derrubaram o ex-homem forte sérvio Slobodan Milosevic. Eles são considerados uma prova irrefutável de uma intenção de fazer desaparecer as evidências das atrocidades cometidas.

As sentenças desta quinta-feira foram as primeiras relacionadas a valas comuns.

Cerca de 10 mil albaneses de Kosovo morreram na guerra, e outros 800 mil fugiram às vizinhas Albânia e Macedônia.

Lidar com crimes de guerra cometidos durante as guerras iugoslavas de 1992 a 1995 foram o maior obstáculo no caminho da Sérvia para se tornar um membro da União Europeia.

O bloco de 27 nações disse que concederia benefícios comerciais da Sérvia apenas após as autoridades extraditarem o ex-comandante bosnio Ratko Mladic, acusado de genocídio pelo tribunal de crimes de guerra das Nações Unidas.

(Reportagem de Ivana Sekularac)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG