Sérvia exige novas negociações para definir status do Kosovo

Snezana Stanojevic. Belgrado, 16 fev (EFE).- Um ano depois da proclamação unilateral de independência do Kosovo com relação à Sérvia, Belgrado tenta devolver à mesa de negociações o tema do status desse território, que considera sua província, algo que albano-kosovares rejeitam de forma categórica.

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"A Sérvia tem como objetivo estratégico a preservação de sua integridade, no grau mais alto da escala de seus interesses. Daremos continuidade à luta para manter o Kosovo", afirmou recentemente o presidente sérvio, Boris Tadic.

Dirigentes albano-kosovares declararam em 17 de fevereiro do ano passado a independência do Kosovo, considerada ilegal pela Sérvia, mas que foi reconhecida até agora por 54 países, entre eles os Estados Unidos e 22 dos 27 membros da União Europeia (UE). O Brasil não faz parte desse grupo.

A diplomacia sérvia obteve uma importante vitória em outubro último, ao conseguir apoio da ONU em sua iniciativa para que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) se pronuncie sobre a legalidade da autoproclamação de independência do Kosovo.

Promovendo uma intensa atividade diplomática e política, Belgrado trata de conseguir que o número de países que reconhecem o Kosovo permaneça quase o mesmo até a emissão da opinião da CIJ.

Em novembro, Belgrado conseguiu que o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovasse o chamado "plano de seis pontos", que considera vital para que cidadãos sérvios permaneçam no Kosovo e se sintam mais protegidos.

No entanto, a aplicação desse plano, rejeitado pelos albano-kosovares, segue pendente, e os sérvios denunciam "vazio de poderes" em seus enclaves no Kosovo, onde não aceitam instituições nem leis do autoproclamado Estado.

Esse plano define a competência dos sérvios em setores como Justiça, forças policiais, alfândegas e fronteiras, proteção do patrimônio cultural sérvio, telecomunicações e infraestrutura, e os detalhes de sua aplicação deverão ser pactuados entre Belgrado e a missão da ONU no Kosovo.

A Sérvia já deu sinais de que pode aceitar dialogar com representantes de Pristina em um nível técnico, sobre problemas concretos da população sérvia do Kosovo.

"Estamos dispostos a tratar até com representantes legítimos dos albano-kosovares sobre assuntos vitais, mas esses assuntos não podem questionar a integridade territorial e a soberania da Sérvia no Kosovo", garante o presidente Tadic.

Dois terços dos sérvios que viviam no Kosovo até 1999 já deixaram o território. Dos cerca de 100 mil que seguem no local, quase 40 mil se concentram no norte, próximo à Sérvia, e o restante habita vários enclaves isolados do interior kosovar.

Belgrado propôs como prioridade melhorar a precária situação da comunidade sérvia no Kosovo e impulsionar suas mais que modestas economia e agricultura em terras kosovares.

A Sérvia entendeu como uma afronta a criação, no fim de janeiro último, da Força de Segurança do Kosovo, órgão que considera ilegal e paramilitar, e que é visto pelos servo-kosovares como uma ameaça direta a sua segurança.

O primeiro Exército autóctone do Kosovo foi formado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e será integrado em sua maioria por antigos guerrilheiros albano-kosovares, com cerca de 2.500 membros no total - os sérvios temem que esse número possa ser facilmente aumentado no futuro.

Belgrado denuncia que no Kosovo há grandes quantidades de armas, e defende a desmilitarização do território, por considerá-lo um barril de pólvora em meio a fortes tensões étnicas.

Na conflituosa e dividida cidade de Mitrovica, no norte kosovar, uma série de incidentes violentos ocorridos no início do ano já despertou temores de que a situação da segurança na região possa piorar. EFE Sn/fr

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