Sérvia enfrenta negociações difíceis para formar novo Governo

Snezana Stanojevic Belgrado, 12 mai (EFE).- Apesar da vitória do pró-União Européia (UE) Partido Democrático (DS) nas eleições legislativas deste domingo, a Sérvia enfrenta negociações difíceis e incertas para formar o novo Governo, objetivo que também será perseguido pelo ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS).

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Com 95,16% dos votos já apurados, a "Coalizão por uma Sérvia européia", liderada pelo DS, do presidente Boris Tadic, tinha 38,75%, o que dará ao grupo 102 das 250 cadeiras do Parlamento.

Seu principal adversário, o SRS, de Tomislav Nikolic, contava com 77 deputados após obter 29,22% dos votos, mas ainda pode formar coalizões de Governo.

Tanto Tadic quanto Nikolic anunciaram que tentarão formar o Governo o mais rápido possível.

Os dois se mostraram dispostos a iniciarem imediatamente os primeiros contatos na busca por aliados, e Nikolic conversou hoje com o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, diz a agência de notícias "Tanjug", que informou que estas conversas continuarão.

Os analistas dizem que as negociações serão longas e difíceis para a formação do novo Governo.

Oficialmente, as conversas terão início quando for publicado, na quinta-feira, o resultado oficial das eleições de ontem.

A Sérvia realizou neste domingo eleições cruciais para determinar se o país continuará no caminho da adesão à UE, em ambiente de profunda divisão e de crescentes reservas em relação ao bloco por causa da crise do Kosovo.

O resultado eleitoral confirmou a divisão do eleitorado.

Nikolic se mostrou convencido de que poderia formar uma maioria com o Partido Democrático da Sérvia (DSS), de Kostunica.

O primeiro-ministro evoluiu de uma postura pró-UE para se tornar o principal crítico do bloco europeu, após o apoio da maioria de seus países-membros à independência unilateral do Kosovo.

O DSS e a legenda Nova Sérvia (NS) receberam 11,34% dos votos e ficaram com 30 assentos, 17 a menos do que na legislatura anterior, e são os grandes perdedores das eleições, mas ainda com possibilidades de integrarem o novo Governo.

Nikolic espera que o Partido Socialista da Sérvia (SPS) - fundado pelo antigo aliado dos "radicais", o ex-presidente Slobodan Milosevic, deposto em 2000 - possa se juntar a seu eventual acordo com Kostunica.

Segundo Nikolic, "a coalizão SRS-DSS-SPS é a única possível" que pode formar um Governo neste momento da Sérvia e afirmou que, caso isto não aconteça, haverá novas eleições.

Kostunica não se pronunciou em público sobre um possível acordo com os nacionalistas, mas descartou qualquer possibilidade de voltar a formar uma coalizão com o DS, com quem tem "diferenças insuperáveis".

Os socialistas, que insistem na defesa do Kosovo e na justiça social como os pontos principais de sua política, parecem parceiros aceitáveis para as duas partes - o SRS e o DS - e despontam como a força essencial para formar o Governo.

O SPS obteve inesperados 7,57% dos votos, que lhe darão 20 cadeiras, e é considerado outro vencedor das eleições de ontem.

Já o DS tentará atrair vários deputados das minorias húngara, albanesa e bósnia, que somam sete cadeiras.

Tadic também negociará com o Partido Liberal-Democrático (LDP), uma dissidência do DS, com quem compartilha a orientação pró-UE, mas que teria que mudar de postura em relação ao Kosovo para que haja entendimento.

O LDP é praticamente o único partido da cena política sérvia que defende a "aceitação da realidade no Kosovo", a província sérvia que se autoproclamou independente em fevereiro e que foi reconhecida por vários países ocidentais, mas não por Rússia, China, Índia, Brasil e outros países.

Os "liberais", de Cedomir Jovanovic, conseguiram 14 cadeiras, com 5,3% dos votos.

A constituição do novo Parlamento, que é esperada para a primeira quinzena de junho, e a eleição de seu presidente será a primeira prova na qual poderá ser vista a possível composição do Executivo.

Segundo a lei sérvia, o Governo deverá ser formado antes de meados de setembro, caso contrário seria necessário convocar novas eleições.

Também foram realizadas ontem eleições locais e para o Parlamento da província de Voivodina (norte), onde o partido pró-UE está derrotando os "radicais" por uma pequena margem.

Os sérvios do Kosovo também votaram tanto nas eleições parlamentares quanto para eleger as autoridades locais, mas a Missão das Nações Unidas no Kosovo (Unmik) anunciou que considerará nula a votação no pleito municipal na região. EFE sn/wr/fal

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