Sérvia deseja opinião da Corte Internacional de Justiça sobre o Kosovo

Belgrado, 2 set (EFE).- O presidente da Sérvia, Boris Tadic, disse hoje que a Sérvia não desistirá de sua tentativa de pedir a opinião da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre se a autoproclamação da independência do Kosovo foi uma violação do direito internacional.

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"Quando se trata desta iniciativa a Sérvia não lhe pode impor nenhuma condição, nem sequer de adesão à União Européia (UE), pois cada país tem o direito soberano de defender sua integridade territorial e a soberania", declarou Tadic à agência de notícias local "Fonet".

A declaração de Tadic foi dada antes de sua viagem a Bruxelas, onde se reunirá amanhã com o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, e com o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, entre outros.

A independência do Kosovo foi proclamada de forma unilateral pela maioria albano-kosovar, em fevereiro passado, sem contar com o sinal verde do Conselho de Segurança da ONU e apesar da taxativa oposição da Sérvia, que considera este território sua província e parte inalienável de seu Estado.

Esta independência foi reconhecida até agora por 46 países, entre eles Estados Unidos e a maior parte dos parceiros da UE, mas não por Rússia, China, Índia ou Brasil.

A Sérvia já entregou em agosto passado à ONU um projeto de resolução no qual propõe pedir a opinião da CIJ, um passo para o qual tem que obter uma maioria na Assembléia Geral das Nações Unidas, em uma sessão que previsivelmente será realizada neste mesmo mês.

Tadic afirmou que a iniciativa está fundamentada no direito internacional e nos princípios democráticos e europeus.

"É muito importante que se detenha o processo de reconhecimento da independência do Kosovo proclamada de forma ilegal, e que, por outro lado, a Sérvia se reforce com uma nova credibilidade", declarou.

Segundo Tadic, a Sérvia estabelece com sua iniciativa perante a ONU um caminho por meio do qual poderiam ser solucionados inúmeros litígios no mundo.

Ao falar da situação no Cáucaso após o reconhecimento russo da Ossétia do Sul e da Abkházia, Tadic afirmou que Belgrado sempre advertiu que a independência do Kosovo criaria um precedente perigoso que poderia colocar em risco a estabilidade de outras regiões. EFE sn/fal

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