Sérvia continua distante da UE mesmo com prisão de Radovan Karadzic

Snezana Stanojevic Belgrado, 30 jul (EFE).- Após entregar para Haia o acusado de crimes de guerra Radovan Karadzic, o principal obstáculo para a aproximação da Sérvia à UE é o antigo líder militar servo-bósnio foragido Ratko Mladic.

EFE |

As autoridades sérvias consideram que a captura de Karadzic é um claro sinal de sua determinação em cumprir os compromissos internacionais e que se eliminaram as suspeitas de que a Sérvia esconde os acusados de crimes de guerra.

"Agora nos resta concluir isto", declarou hoje à imprensa nacional Dusan Ignjatovic, o diretor do escritório governamental de cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia.

O Estado se propôs a tarefa "eliminar esta carga inútil", disse Ignjatovic, que se mostrou convencido de que esta tarefa "será completada".

O TPII ainda reivindica à Sérvia a detenção e extradição do ex-líder dos sérvios da Croácia, Goran Hadzic, e de Mladic.

A captura deste último, que com Karadzic lidera a lista de acusados pelo TPII, é a principal condição para que a Sérvia possa prosseguir pelo desejado caminho em direção à União Européia (UE).

Mladic é acusado de genocídio por ser o principal líder militar no massacre de até 8 mil muçulmanos em 1995 em Srebrenica, naquela oportunidade uma região protegida pelas forças de paz da ONU.

O TPII também o acusa de crimes contra civis durante os três anos e meio do cerco a Sarajevo, entre 1992 e 1995.

A Sérvia assinou em abril passado o Acordo de Estabilização e Associação com a UE, considerado o primeiro passo para a entrada no bloco, mas sua aplicação depende do pleno cumprimento dos compromissos internacionais por parte de Belgrado.

A ambição da Sérvia é de se transformar antes do final do ano em país candidato à adesão, uma tarefa exigente e difícil para o novo Governo pró-UE, que assumiu de forma interina em 7 de julho.

O novo Governo promete aos cidadãos melhores condições de vida e uma rápida aproximação da UE, e espera o apoio de Bruxelas neste sentido.

Os embaixadores permanentes perante a UE dos países-membros voltaram a fracassar ontem em sua tentativa de convencer a Holanda sobre a conveniência de fazer um gesto de aproximação junto à Sérvia e de oferecer pelo menos benefícios comerciais para premiar a captura de Karadzic, apesar da maioria dos países do bloco ver isto como algo urgente.

Na Sérvia, o TPII é visto por muitos, inclusive pelos que defendem o cumprimento dos compromissos internacionais, como uma instituição mais política que judicial e que deu um tratamento injusto aos acusados sérvios.

A opinião pública recebeu como uma injustiça e um "escândalo" as recentes decisões desta corte internacional de absolver de acusações de crimes de guerra contra os sérvios o ex-comandante das forças bósnio-muçulmanas de Srebrenica Naser Oric e o antigo comandante da guerrilha albano-kosovar Ramush Haradinaj.

Muitos sérvios acreditam que a UE continuará impondo condições novas à Sérvia para sua entrada no bloco, apesar de este país estar cooperando com o TPII.

Ninguém em Belgrado esperava a captura de Karadzic, pois se acreditava que não estava na Sérvia e que todos os recursos estavam concentrados na busca de Mladic, que segundo a Promotoria do TPII se esconde neste país.

Karadzic foi detido no último dia 21 pelo serviço secreto sérvio nas proximidades de Belgrado, onde vivia e trabalhava com uma identidade falsa.

O analista político e militar sérvio Ljubodrag Stojadinovic afirmou hoje que Mladic poderia ter um sistema melhor de "contra-espionagem" para obter informações que o ajudem a se esconder "a tempo", e que tais informações poderiam proceder de antigos membros dos serviços secretos militares.

Segundo Stojadinovic, Mladic não aceitaria mudar de identidade e se disfarçar, como fez Karadzic, para poder aparecer em público.

A detenção de Karadzic e sua extradição para o TPII, onde será julgado, causou várias manifestações, mas apenas um foi grande e aconteceu na noite de ontem em Belgrado com a participação de cerca de 16 mil pessoas.

O protesto antigovernamental, organizado pelo ultranacionalista e opositor Partido Radical Sérvio (SRS) acabou eclipsado pelos incidentes provocados por cerca de 200 jovens que enfrentaram a Polícia e criaram grande confusão no centro de Belgrado.

Nos incidentes 74 pessoas ficaram feridas, a maior parte policiais. EFE sn/fal

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