Série de protestos em Honduras eleva pressão sobre diálogo

Tegucigalpa, 17 jul (EFE).- Os seguidores de Manuel Zelaya continuaram hoje os protestos em Honduras, à espera dos resultados da reunião que acontece amanhã na Costa Rica entre as delegações do líder deposto e do novo presidente Roberto Micheletti.

EFE |

As manifestações aconteceram em Tegucigalpa e nos departamentos de Cortés, Olancho e Ocotepeque, como disse à Agência Efe o secretário-geral da Confederação Única dos Trabalhadores de Honduras (CUTH), Juan Barahona.

A expectativa em Honduras segue crescendo à medida que se aproxima a segunda rodada de diálogo entre as missões designadas por Zelaya e Micheletti, prevista para amanhã na Costa Rica com a mediação do presidente local, Oscar Arias.

Enquanto se fala da reunião em San José, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou que Zelaya chegará "nas próximas horas" a Honduras para retomar o poder.

Zelaya foi deposto pelos militares em 28 de junho passado e enviado à Costa Rica. Nesse mesmo dia, o Parlamento hondurenho designou como sucessor Roberto Micheletti, que presidia o Legislativo.

Perante informações de que o Exército de Honduras tinha enviado tropas à fronteira com a Nicarágua, o diretor de relações públicas das Forças Armadas hondurenhas, Ramiro Archaga, desmentiu, em declarações à Efe, que tal desdobramento tenha acontecido.

Segundo ele, também não se tem informação de que o país vizinho esteja fazendo o mesmo. Archaga disse que os militares "estão em seus quartéis e apoiando algumas ações da Polícia para evitar distúrbios em manifestações", que vêm sendo convocadas desde que Zelaya foi derrubado.

As Forças Armadas também disseram hoje que permanecem "solidamente unidas", descartaram que exista divisão entre suas tropas e rejeitaram a intromissão na instituição.

Na quinta-feira à noite, o próprio presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acusou o Exército hondurenho de ter empreendido um desdobramento militar "impressionante" na fronteira entre os dois países.

Micheletti, por sua vez, advertiu hoje que o Exército e a Polícia de seu país "estão preparados para repelir" qualquer tentativa de intervenção estrangeira, segundo disse em entrevista concedida à emissora colombiana "RCN".

Em Tegucigalpa, o ministro da Presidência, Rafael Pineda, afirmou que Micheletti está disposto a aceitar um presidente que não seja nem ele nem Zelaya para superar a crise política, mas sem violar a Constituição.

Segundo Pineda, Micheletti também admitiria uma anistia para "os crimes políticos" de Zelaya, contra quem pesa uma ordem de captura.

Pineda enfatizou que para uma solução à crise é preciso propiciar um "diálogo sem violência" e "sem ameaças de um Governo estrangeiro que está a milhares de quilômetros" de Honduras, em alusão a Chávez.

O presidente venezuelano afirmou ontem na Bolívia que em Honduras é possível que ocorra uma "guerra civil", que poderia se estender pela América Central caso não se permita o retorno de Zelaya ao poder.

Em Washington, os congressistas republicanos Mario Díaz-Balart e Mike Pence e o ex-secretário adjunto dos Estados Unidos para a América Latina Roger Noriega negaram hoje que em Honduras tenha havido um golpe militar, e condenaram a postura da Organização dos Estados Americanos (OEA) a respeito.

O Governo Micheletti segue sem ser reconhecido pela comunidade internacional, que exige a restituição de Zelaya. EFE gr/rr

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